Estímulo

Cultura popular é alvo de prêmio e tem lançamento no Recife

MinC distribuirá R$ 10 milhões na 6ª edição do Prêmio Culturas Populares

Robson
Robson
Publicado em 27/04/2018 às 20:48
Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
MinC distribuirá R$ 10 milhões na 6ª edição do Prêmio Culturas Populares - FOTO: Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
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O Centro Cultural Cais do Sertão, no Bairro do Recife, foi o ponto de partida na manhã desta sexta-feira (27) para o lançamento da 6ª edição do Prêmio Culturas Populares. A iniciativa do Ministério da Cultura, considerada a maior em prol da cultura popular, pretende investir o valor recorde de R$ 10 milhões distribuídos em 500 projetos realizados em todo o Brasil. O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, esteve presente na cerimônia, ao lado de autoridades e artistas locais.

A edição 2018 teve como homenageada a cantora Selma do Coco, falecida em 2015. A abertura da cerimônia, feita no novo auditório do Cais do Sertão, recebeu uma apresentação do Centro Cultural Selma do Coco, criado pela família da coquista. A cirandeira e amiga Lia de Itamaracá, Aurinha do Coco e Glorinha do Coco faziam as vozes principais. Algumas netas de Selma também estavam no palco se apresentando, obedecendo ao pedido da saudosa artista de dar continuidade ao seu trabalho.

Várias manifestações populares também se apresentaram antes das falas das autoridades e do ministro. O Grupo Papanguarte, de Bezerros, animou a plateia, puxando até o ministro da Cultura para arriscar uns passos de frevo. Logo após, Robertinho do Recife fez um número especial de guitarra.

Ao apresentar todo o funcionamento do Prêmio Culturas Populares, o ministro Sérgio Sá Leitão defendeu em seu discurso o quanto a Cultura pode ser algo lucrativo e democrático. “O que a política hoje em dia tem separado, a Cultura junta”, disse o representante, que ressaltou a pluralidade de projetos que podem ser contemplados – tanto tradicionais quanto contemporâneos – e menos burocracia nos pagamentos, já que se trata de um reconhecimento em dinheiro ao que já está sendo feito.

Após a fala da autoridade, o último discurso foi da secretária municipal de Cultura do Recife, Leda Alves, que abordou a questão da resistência cultural nos dias atuais. A cerimônia foi encerrada com um grupo de afoxé e uma apresentação ao ar livre da quadrilha junina mirim Fusão, do Morro da Conceição.

Na 6º edição do Prêmio Culturas Populares – retomado em 2017 após uma suspensão de cinco anos – cada um dos premiados receberá R$ 20 mil, o dobro do valor oferecido no ano passado. Serão 200 prêmios para iniciativas de mestres e mestras (pessoa física); 180 para iniciativas de grupos sem CNPJ; 70 para pessoas jurídicas sem fins lucrativos; 30 para pessoas jurídicas com ações comprovadas em acessibilidade cultural; e 20 para herdeiros de mestres e mestras já falecidos (in memoriam). As inscrições podem ser feitas de 30 de abril a 13 de junho, pela internet ou via postal.

Os 500 projetos vencedores estão distribuídos igualmente para cada região do Brasil, sendo 100 vagas cada. Em caso de disparidade ou lacuna em alguma região, as vagas restantes serão redistribuídas de forma equitativa. Em cinco edições, o MinC já distribuiu R$ 18,7 milhões em prêmios. Na edição 2017, 80 projetos pernambucanos foram contemplados.

MINISTRO ELENCA PRIORIDADES

Após a cerimônia, o ministro Sérgio Sá Leitão falou com a imprensa sobre a importância do lançamento do Prêmio Culturas Populares, mas também não fugiu de questões que não estavam em pauta.

Questionado pelo Jornal do Commercio sobre a previsão de inauguração do complexo cultural do Cais do Sertão, referido por ele em seu discurso no evento como uma “novela que se arrasta desde 2009”, ele tinha uma resposta mais otimista. “A informação que eu tive é de mais um mês para ter a inauguração. A preocupação agora é que não inaugure e fique sem uso, vazio, para que já entre o plano de ação e manutenção”, afirmou.

Sérgio Sá Leitão também falou sobre a desarticulação da Funarte em Pernambuco. “A gente adotou duas prioridades: uma foi a de pagar os editais que foram lançados e não pagos em gestões anteriores e a segunda foi priorizar a reforma e o funcionamento dos espaços culturais sob responsabilidade da Funarte. Porque, quando o quadro é de escassez, tem que focar naquilo que é a tua responsabilidade primeira. A boa gestão desses espaços, que eles funcionem, tenham equipamentos e possam receber os espetáculos é a função primária”, garantiu.

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