INVESTIGAÇÃO

Polícia identifica Day McCarthy, autora de ofensa racista contra Titi

Brasileira que se diz socialite chamou a filha de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank de macaca

JC Online
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Publicado em 28/11/2017 às 12:33
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Brasileira que se diz socialite chamou a filha de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank de macaca - FOTO: Instagram/Reprodução
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A Delegacia de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), no Rio de Janeiro, anunciou ter identificado a autora de ofensas racistas contra Titi, filha dos atores Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank. Segundo a polícia, a autora das mensagens, que se apresenta como Day McCarthy e declara ser escritor e socialite, se chama Dayane Alcântara Couto de Andrade, tem 28 anos e nasceu em Vitória (ES).

Investigação

Bruno Gagliasso prestou queixa na DRCI na manhã de segunda-feira (27/11). Day McCarthy usou seu perfil no Instagram, que contava com mais de 700 mil seguidores, para chamar a menina Titi, 4 anos, de "macaca". A conta dela na rede social foi retirada do ar. Dayane deve responder a três crimes: injúria racial, difamação e injúria. Desde então, Bruno e Giovanna Ewbank publicaram algumas mensagens sobre o racismo.

Com a repercussão do caso, muitas pessoas publicaram mensagens de apoio para Titi. Outros lembraram que Day McCarthy já comparou Rafaella Justus ao boneco Chuky em outra publicação nas redes sociais. A menina é filha da apresentadora Ticiane Pinheiro e do empresário Roberto Justus.

 

Diogo Cintra foi espancado no metro de SP por ser negro, o TED de Tais Araújo foi descontextualizado e ironizado, pessoas saem em defesa de um jornalista importante flagrado com uma atitude racista. A cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. Segundo a Anistia Internacional, dos 56 mil homicídios que ocorrem por ano no Brasil, mais da metade são entre os jovens. E dos que morrem, 77% são negros. O discurso de que o Brasil é um país multirracial não invalida o fato de que ainda assim somos um país racista. Nossa população negra é originária de um regime escravocrata, que foi o último a ser abolido nas Américas. Alguns brancos podem argumentar: “mas o meu bisavô também veio para o Brasil sem nada e conseguiu reconstruir a sua vida”. Esse bisavô não era considerado uma propriedade, não veio raptado, forçado e escravizado, impedido de ter educação, seus filhos também não foram tidos como propriedade e escravizados e provavelmente teve muitas vezes o apoio do governo para essa vinda e estabelecimento, favorecido por vários programas oficiais após a abolição da escravidão. Isso é, sem dúvidas, um privilégio branco. Esse texto do Criesp tem outros exemplos que ilustram bem os privilégios: • Ninguém dúvida da minha capacidade intelectual ou profissional. • A primeira coisa que as pessoas reparam em mim não é a minha cor. • Ninguém me olha feio se eu usar o elevador social num prédio que eu não moro. • Quando entro num supermercado ou numa loja, as pessoas não ficam de olho em mim. • Se eu faço alguma coisa errada, as pessoas vão julgar que esse foi um erro individual, não um erro do meu grupo. E muito menos por causa da minha cor. • Vou viver mais: minha expectativa de vida é maior do que a de um negro • Numa entrevista de emprego, o entrevistador é quase sempre da mesma cor que eu. • Não me sinto responsável pelo que meus antepassados brancos fizeram contra os negros. Mas acho que os negros de hoje são responsáveis pelo que seus antepassados fizeram contra sua própria raça. • Nunca fui comparada com um macaco. • Todos os presidentes do meu país foram da minha cor. • Ninguém muda de calçada ao me ver.

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