Polêmica

Margaret Atwood: movimento #Metoo é sintoma de Justiça falida

A escritora canadense causou polêmica após a publicação de um artigo seu, afirmando que o movimento contra assédio sexual #Metoo reflete uma Justiça que não funciona.

Luana Nova
Luana Nova
Publicado em 15/01/2018 às 8:44
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A escritora canadense causou polêmica após a publicação de um artigo seu, afirmando que o movimento contra assédio sexual #Metoo reflete uma Justiça que não funciona. - FOTO: Foto: Divulgação
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A escritora canadense Margaret Atwood causou polêmica neste fim de semana, após a publicação no sábado (13) de um artigo seu, afirmando que o movimento contra assédio sexual #Metoo reflete uma Justiça que não funciona.

"O movimento #Metoo é sintoma de um sistema judiciário falido", escreveu ela na coluna intitulada "Sou uma má feminista", publicada no jornal "Globe and Mail".

"Com muita frequência, mulheres e outras vítimas de abuso sexual não conseguem obter uma audiência justa das instituições, incluindo as empresas, motivo pelo qual usam uma nova ferramenta: a Internet", continua.

As reações não demoraram, muitas delas contrárias ao texto de Atwood, autora de "O conto da Aia", que ganhou vários prêmios Emmy em setembro. O romance descreve o futuro apocalíptico de uma sociedade que transforma mulheres férteis em escravas sexuais.

Referindo-se às atrizes que denunciaram os abusos do produtor de Hollywood Harvey Weinstein, a romancista de 78 anos fala de "estrelas caídas do céu".

Ela também cita episódios históricos para denunciar os riscos de uma justiça rápida e popular.

"Justiça com as próprias mãos"

A ideia de que alguém "é culpado, porque é acusado" foi aplicada durante "a Revolução Francesa, os expurgos do stalinismo na URSS, o período da Guarda Vermelha na China, a ditadura argentina, ou os primeiros dias da Revolução Iraniana".

"A sentença sem julgamento é o começo da resposta à falta de justiça. Ou o sistema está corrupto, como na França pré-revolucionária, ou simplesmente não há um, como no Faroeste. Então, as pessoas fazem justiça com as próprias mãos", escreveu.

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