TRAGÉDIA

Prejuízo com Harvey é estimado em US$ 42 bilhões

Harvey se mostra tão danoso quanto o furacão Ike, que atingiu o Texas e partes do Caribe com um custo de US$ 43 bilhões em 2008

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Publicado em 29/08/2017 às 17:50
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Harvey se mostra tão danoso quanto o furacão Ike, que atingiu o Texas e partes do Caribe com um custo de US$ 43 bilhões em 2008 - FOTO: Foto: AFP
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Os danos causados pelo furacão Harvey podem colocá-lo entre as cinco tempestades "mais caras" do Estados Unidos, com barragens e diques destruídos que antecipam mais prejuízos, segundo dados publicados nesta terça-feira (29).

Uma estimativa dos custos e prejuízos totais disparou durante a noite de 30 para 42 bilhões de dólares, já que as inundações começaram a atingir Luisiana e as medidas de controle de alagamentos ficaram sobrecarregadas, de acordo com Chuck Watson, fundador da empresa de modelagem para previsão de desastres Enki Research.

Enquanto nesta terça as autoridades ainda estão focadas em resgatar sobreviventes, as consequências da tempestade - e o quanto irá perdurar nas economias do Texas e dos Estados Unidos - começaram a ser analisadas. "Se o Harvey fosse um furacão normal, provavelmente custaria quatro bilhões de dólares", disse Watson à AFP. "Seria trágico para as pessoas atingidas, mas não estaríamos falando de seu efeito na macroeconomia".

No entanto, com 42 bilhões de dólares de perdas econômicas, o Harvey se mostra tão danoso quanto o furacão Ike, que atingiu o Texas e partes do Caribe com um custo de US$ 43 bilhões em 2008, e o furacão Wilma, que varreu a América do Norte em 2005 com um custo de quase US$ 38 bilhões, segundo as estimativas de Watson. E esta cifra pode aumentar.

Segunda economia dos EUA

O Texas, centro de energia do país com uma produtividade anual de 1,6 trilhão de dólares, representa cerca de 9% do PIB - a segunda maior economia do país, depois da Califórnia, e maior do que a de Canadá e Coreia do Sul. 

A Goldman Sachs estimou na segunda-feira que os prejuízos com Harvey somente no setor energético podem diminuir em 0,2 ponto percentual o crescimento do PIB americano no terceiro trimestre de 2017. 

"No entanto, enfatizamos que o impacto global do furacão no crescimento do segundo semestre ainda é incerto", afirmaram os analistas em nota. 

E, apesar das perdas, observam que "os efeitos negativos provavelmente serão compensados por um aumento nos investimento nos negócios e na construção civil após a passagem da tempestade".

A Costa do Golfo do Texas foi devastada pelo furacão mais poderoso a atingir o estado desde 1961, fechando plataformas de petróleo e refinarias, incluindo o gigante complexo de Baytown, da ExxonMobil.

E de acordo com Barclays, no início desta terça, cerca de 40% da capacidade petroquímica dos Estados Unidos estava desconectada ou em processo de desligamento.

Além dos produtores de petróleo e gás, o Texas abriga muitas empreiteiras, fabricantes de peças de informática, manufatureiros e um grande setor de gado, algodão, grãos e frutas. 

Desastres naturais como inundações e furacões podem causar desemprego em cidades inteiras, interromper a cobrança de impostos e o fornecimento de alimentos e combustíveis por meses, aumentar os custos e reduzir a demanda em outros lugares. 

Os esforços de reconstrução após grandes desastres podem, em última instância, impulsionar as economias locais, enquanto as pessoas se mobilizam para limpar, consertar casas e outras infraestruturas, de forma a auxiliar no crescimento do número de empregos. 

Mas, de acordo com o Instituto de Informações de Seguros, apenas 12% dos proprietários em áreas de enchentes contaram com a cobertura de seguro contra inundações em 2016. Na parte sul a cifra subiu para 14%.

Mínima cobertura de seguros

"É realmente uma situação devastadora, não apenas da perspectiva climática, mas da financeira para essas pessoas", declarou à AFP Loretta Worters, porta-voz do instituto.

As pessoas que não têm seguro podem estar em ruínas sem a assistência do governo, disse.

"Seria uma perda total para elas".

Worters assinala que a indústria de seguros atualmente conta com um superávit de 700 bilhões de dólares, podendo atender a esta situação de forma confortável.

Mas Watson, da Enki Research, disse que os mapas do país que mostram as áreas propensas a inundações - onde os proprietários geralmente são obrigados a ter seguro contra alagamentos - são imprecisos e obsoletos, o que significa que o número de segurados contra danos causados pelo Harvey é mínimo.

"Nossa estimativa inicial é que dois terços das inundações tenham ocorrido foram das zonas propensas" a alagamentos, afirmou.

A recuperação será especialmente complicada para os mais pobres, cuja renda é interrompida a partir do momento em que não podem trabalhar. 

"Não estão sendo pagos, as contas estão empilhando, suas casas estão destruídas", disse Watson. "É aí que o verdadeiro desastre humanitário vai acontecer".

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