NEGOCIAÇÕES

Tensões comerciais entre EUA e China em reunião do G20

O valor da tarifa do aço é o principal ponto discutido na reunião

Bianca Sousa
Bianca Sousa
Publicado em 19/03/2018 às 14:52
Foto: Patrik Stollarz/AFP
O valor da tarifa do aço é o principal ponto discutido na reunião - FOTO: Foto: Patrik Stollarz/AFP
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Os Estados Unidos e a China, em disputa sobre a questão do aço, "mostraram seus dentes" nas negociações do comunicado final da reunião do G20 iniciada nesta segunda-feira (19) em Buenos Aires.

A reunião de Buenos Aires, a primeira sob a presidência argentina do G20, é feita a apenas quatro dias da entrada em vigor da tarifação de 25% sobre as importações de aço dos Estados Unidos e 10% sobre o alumínio.

Como nas demais reuniões do G20 desde a chegada de Donald Trump à Casa Branca há pouco mais de um ano, a redação do comunicado final reflete uma luta feroz entre as duas maiores economias mundiais. 

"A declaração final deve reconhecer que há tensões comerciais", destacaram essas fontes, faltando quatro dias para a entrada em vigor 

Antes da declaração ser publicada na terça-feira (13) após a reunião, "a China e os Estados Unidos mostraram seus dentes" e não foi possível evitar tensões no texto final, indicaram.

Enquanto as medidas americanas visam principalmente a China, cuja superprodução de aço é denunciada há anos por seus parceiros, os aliados europeus de Washington também são alvo de Trump, que frequentemente ataca a Alemanha por seus excedentes comerciais. 

Nos últimos dias, os europeus reafirmaram sua união com os Estados Unidos e os esforços diplomáticos se multiplicaram para impedir que as tarifas de aço desencadeassem uma guerra comercial. 

"Dividir a Europa não pode ser do interesse dos Estados Unidos, e não conseguirão", disse o ministro alemão da Economia, Peter Altmaier, ao jornal econômico Handelsblatt antes de viajar a Washington para uma reunião com seus equivalentes americanos.

Duelo fiscal  

Outro tema que desperta tensão entre Estados Unidos e União Europeia é a tributação de empresas digitais, como Google, Amazon, Facebook e Twitter. 

Os membros do G20 não conseguiram alcançar, antes da reunião de Buenos Aires, um consenso sobre o tipo de tributação fiscal a curto ou longo prazo, deixando a porta aberta a medidas unilaterais, enquanto um acordo global é negociado. 

A Comissão Europeia deve apresentar as suas próprias medidas na próxima quarta-feira, em Bruxelas. 

Em uma carta enviada ao secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steve Mnuchin, o comissário europeu Pierre Moscovici tentou tranquilizá-lo, garantindo que seu projeto não é criar um imposto para as empresas digitais. 

Moscovici, que se dirigirá aos ministros de Finanças do G20 na terça-feira, negou que fosse uma retaliação às medidas de Trump sobre o aço. 

"Essas propostas não respondem a um pedido da França, nem são uma resposta contra os Estados Unidos. Trabalhamos com as empresas digitais, os europeus, a OCDE e os nossos parceiros internacionais, inclusive nossos amigos americanos, há meses", explicou à AFP.

Mas isso não o impediu de enviar um alerta a Mnuchin na sexta-feira. "Os Estados Unidos se opõem firmemente às propostas de qualquer país quando se trata de tributar empresas digitais", afirmou.

Neste contexto, os ministros das finanças e os presidentes dos bancos centrais das principais economias mundiais devem evitar mencionar a palavra "protecionismo", um termo proibido desde a chegada de Trump à Casa Branca.

Em vez disso, deve-se utilizar a formulação "inward looking policies" ou "políticas orientadas internamente".

A expressão, sugerida pela diretora do FMI Christine Lagarde, segundo fontes da AFP, mostra as dificuldades do G20 em chegar a um consenso.

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