CRISE

Moody's vê risco de inflação com alta no salário mínimo

O vice-presidente da Moody's, contudo, afirmou que o Brasil possui "alguns desafios" no futuro próximo, pois "é fraco" o tamanho da poupança como proporção do PIB

Fábio Jardelino
Fábio Jardelino
Publicado em 04/10/2011 às 13:45
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O vice-presidente da Moody's, Mauro Leos, disse nesta terça-feira (4) que a alta de 14% do salário mínimo encomendada para 2012 "pode ter impacto inflacionário." Contudo, ele ressaltou que a regra que determina o reajuste deste piso salarial do País é "positiva", pois aumenta a "previsibilidade" da gestão da política econômica. "A norma que estabelece a elevação do salário mínimo vale todos os anos, e é definida de forma objetiva", disse ele, em palestra em São Paulo.

Embora tenha ressaltado que a medida pode colaborar para elevar os preços da economia no Brasil, Mauro Leos afirmou que não está preocupado com a trajetória dos índices de preços ao consumidor no curto prazo. "Nós pensamos que a inflação no País vai baixar" comentou, ressaltando que hoje ela está ao redor de 7,2% no acumulado em 12 meses. Mas Leos destacou que a mediana das expectativas de economistas de mercado apurada pela pesquisa Focus indica que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingirá 5,53% em 2012.

"Para quem avalia rating soberano, algum fator de apreensão poderia ocorrer caso o Banco Central não estivesse atuando para controlar a inflação. Mas não é isso que está ocorrendo hoje", disse ele, em entrevista a jornalistas.

De acordo com Leos, a economia brasileira está forte o suficiente para "lidar com choques externos" eventualmente advindos do agravamento da crise internacional. Ele ressaltou que o País apresenta um bom desempenho do balanço de pagamentos, possui cerca de US$ 350 bilhões em reservas cambiais e é credor externo líquido. O vice-presidente da Moody's, contudo, afirmou que o Brasil possui "alguns desafios" no futuro próximo, pois "é fraco" o tamanho da poupança como proporção do PIB, que atinge 20% do Produto Interno Bruto. "Não é como a China, que tem 50% de poupança em relação ao PIB", destacou.

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