Pesquisa // Indústria

Queda da indústria automotiva puxa recuo da produção industrial

Aumento de estoques também foi percebido em outras áreas, contribuindo para o recuo acentuado do setor no mês

Aline Souza
Aline Souza
Publicado em 01/11/2011 às 12:22
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RIO DE JANEIRO – Com a desaceleração da economia no país, o setor industrial dá sinais de acomodação, que se refletem na queda de 2% da produção industrial brasileira de agosto para setembro, como indica o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Divulgada nesta terça-feira (1º), a Pesquisa Industrial Mensal aponta a queda de 11% na produção de veículos automotores como a principal responsável pelo recuo do setor. É a maior queda desde dezembro de 2008 (38,8%), quando o país sentiu os primeiros efeitos da crise financeira no mercado doméstico.

Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, por causa dos estoque elevados, as montadoras concederam férias coletivas aos funcionários, o que impactou também na produção de caminhões —  no ramo de bens de capital, que constituem ativos (investimentos) das empresas.

Macedo acrescentou ainda que o aumento de estoques também foi percebido em outras áreas, contribuindo para o recuo acentuado do setor no mês. Reflete uma demanda menor do mercado interno e a substituição de produtos nacionais por importados, desde calçados a eletrônicos.

"Essa formação de estoques indesejados também explica muito o comportamento moderado que o setor industrial vinha mostrando nos últimos meses e acentua o ritmo de queda em setembro", reforçou o gerente da Pesquisa Industrial Mensal.

Na pesquisa, o IBGE indica que a produção da indústria está em diminuição desde outubro de 2010.  Depois de uma alta de 1,3% nos primeiros três meses do ano, caiu 0,6% no segundo trimestre de 2011 e mais 0,8% entre julho e setembro, no terceiro trimestre.  

Em setembro, 16 dos 27 ramos pesquisados diminuíram a produção. Além dos veículos, o IBGE destaca a queda de 13,6% na produção de materiais eletrônicos, aparelhos e equipamentos de comunicação, de 4,1% em máquinas e equipamentos e de 6% em máquinas, aparelhos e materiais elétricos.

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