CONSUMO

Prós e contras da renovação do IPI

Governo atende ao pleito da indústria automotiva, estimula a venda de carros e a preservação de empregos. Mas tanto incentivo provoca endividamento e inadimplência. Estados e municípios também sofrem

Lara Holanda
Lara Holanda
Publicado em 25/10/2012 às 0:05
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SÃO PAULO E RECIFE – A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem a prorrogação da alíquota reduzida do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o setor automotivo, que venceria no próximo dia 31. Agora, o benefício vai vigorar até 31 de dezembro. O anúncio foi feito no encerramento do discurso de Dilma no Salão do Automóvel de São Paulo, principal evento do setor na América Latina. Assim que fez o anúncio, foi muito aplaudida pela plateia, composta por empresários do segmento. Embora estimule um setor altamente gerador de empregos, a decisão traz vários efeitos nem tão positivos. De acordo com uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 91% dos consumidores pretendem fazer um financiamento de automóvel nos próximos seis meses. O percentual é ainda maior nas classes C, D e E, onde chega a 93%. A dívida acumulada com o carro eleva o risco de inadimplência e compromete o consumo de outros produtos, prejudicando outros segmentos do comércio varejista. Tem mais: com o IPI reduzido, Estados e prefeituras recebem menos recursos do governo federal, afetando, desta forma, investimentos públicos.

Durante o evento em São Paulo, Dilma afirmou que a distribuição de renda no Brasil, nos últimos anos, fez a diferença e criou um mercado de consumidores que tem uma demanda reprimida. “Somos um País com praticamente 200 milhões de habitantes, que tem uma riqueza fantástica e um mercado vigoroso”. Dilma afirmou que o Brasil deve ser um país de classe média e comparou esta classe ao de países desenvolvidos. “A classe média está sendo destruída nos mercados desenvolvidos”, disse.

A Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) comemorou a prorrogação. Cledorvino Belini, presidente da entidade (e da Fiat), considera que a prorrogação da redução do IPI permitirá ao setor fechar o ano com crescimento de 5% das vendas no mercado interno, com 3,8 milhões de veículos. Já o ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que o governo decidiu prorrogar a redução do IPI “para que os preços permaneçam baixos” e o setor automotivo continue vendendo bem e fazendo investimentos. Mantega destacou o impacto positivo do imposto reduzido sobre a inflação. “Nós também não queremos que tenha aumento de preços neste final de ano”.

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