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Rosenberg: BC será incoerente se não aumentar taxa

De acordo com o anunciado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao encerrar março com uma inflação de 0,47% na comparação com fevereiro

Do JC Online
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Publicado em 10/04/2013 às 16:44
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O Banco Central (BC) será contraditório se não atuar e elevar a Taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), terça (16) e quarta-feira (17), após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ter superado o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 6,5% ao ano, avaliou nesta quinta-feira a economista Priscila Godoy, da Rosenberg Associados. "A impressão que eles querem passar é de que este é um Banco Central vigilante, preocupado com inflação, que age no momento em que ela sai do controle", afirmou. "Mas ele vai ser contraditório se não agir agora. Fica um sinal também (se não subir a taxa) de que a meta está um pouco esquecida."

De acordo com o anunciado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao encerrar março com uma inflação de 0,47% na comparação com fevereiro, o IPCA acumulou alta de 6,59% no período de 12 meses encerrados no mês passado. Apesar de ter vindo dentro do esperado pelo mercado, e até um pouco abaixo, o resultado do IPCA rompeu o teto, ao chegar a 6,59%. "As pessoas temiam que rompesse para algo próximo a 6,7%. Então, o resultado tranquilizou um pouco os mercados, mas eu ainda acho preocupante, pois estamos falando de inflação acima do teto da meta", afirmou.

Já o economista Fábio Romão, da LCA Consultores, disse esperar que a emblemática taxa de inflação acima do limite, motivadora da crença de que, a partir deste pico, o BC poderia dar início a uma trajetória de alta dos juros básicos, se restringirá à leitura de março do IPCA. Segundo Romão, para abril, a LCA Consultores projeta uma inflação de 0,42%, o que contribuirá para desacelerar a taxa anualizada de atuais 6,59% para 6,36%. Isso, no entanto, não será suficiente para impedir que o Copom eleve a Selic neste ano. Atualmente, o juro de referência da economia brasileira encontra-se em 7,25% ao ano.

Entre as variáveis que, conforme previsão da LCA, levarão o IPCA em abril a fechar em 0,42%, ou 0,05 ponto porcentual abaixo da taxa de 0,47% de março, está uma possível redução de 0,25% no preço da gasolina na ponta do consumidor, disse o economista. Ele trabalha com o preço do etanol em abril a um nível inferior ao de março. Na avaliação de Romão, o preço do combustível, com o início da safra, fechará maio, junho e julho com deflação. Mas em abril, vai desacelerar e causar impacto na cotação da gasolina por causa da mistura desses combustíveis. "O etanol começa a apresentar uma moderação já em abril e afetará o preço da gasolina", previu. Além disso, a partir de maio, a mistura do derivado da cana-de-açúcar com o do petróleo sobe de 20% para 25%.

Na análise do economista Alberto Ramos, diretor de Pesquisas para a América Latina do Grupo Goldman Sachs, a alta de 0,47% do IPCA mostrou uma desaceleração ante o aumento de 0,60% em fevereiro, mas a inflação ainda está muito elevada, com grande nível de disseminação, o que torna inevitável para o BC aumentar os juros no curto prazo.

"A inflação está ainda muito pressionada, inclusive os preços livres avançaram em março 8,2% no acumulado em 12 meses, o maior patamar para esta categoria em dez anos", disse. Ramos declarou acreditar que há 60% de possibilidade de o Copom erguer o juro na próxima semana e que os outros 40% apontam para uma alta em 29 de maio. Ele supõe que o BC adotará um ciclo de alta da Selic com um incremento inicial de 0,25 ponto porcentual, seguido de duas ascenções de 0,50 ponto cada uma.

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