Pirâmide

Telexfree diz ter R$ 292 milhões em dívidas

Informação foi prestada à Justiça pela empresa, que não deixa claro se valor inclui pagamentos ainda por vencer com seus 1 milhão de divulgadores

Giovanni Sandes
Giovanni Sandes
Publicado em 25/09/2013 às 11:11
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Informação foi prestada à Justiça pela empresa, que não deixa claro se valor inclui pagamentos ainda por vencer com seus 1 milhão de divulgadores - FOTO: Reprodução
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Paralisada há três meses sob a acusação de prática de pirâmide financeira, a Ympactus Comercial, mais conhecida como Telexfree, informou à Justiça que já acumula uma dívida de R$ 291,98 milhões. A maior parte dos débitos, R$ 230 milhões, seria com os divulgadores da empresa – mas a companhia não deixa claro se o valor é só de comissões já vencidas ou inclui toda a remuneração prevista até o final do contrato de 1 milhão de pessoas atraídas pela promessa de retorno garantida de 300%, em 12 meses.

A Telexfree Inc. e a Ympactus são empresas completamente diferentes - a primeira seria uma multinacional americana e a segunda, uma licenciada para o uso da marca da primeira em solo brasileiro, embora o americano James Merril seja fundados da companhia nos Estados Unidos e sócio da brasileira.

A Telexfree Inc. seria dona dos produtos, pacotes de telefonia VoIP (ligações pela internet) e da própria marca Telexfree. A Ympactus teria aplicado o marketing multinível ao negócio, a criação de redes de vendedores de seus serviços: ela cobrava adesões a partir de R$ 600 e pagava bônus para quem arregimentasse mais pessoas. Para uma força-tarefa dos Ministérios Públicos, Procons, Ministérios da Fazenda e Justiça, o foco exacerbado apenas na adesão de novas pessoas, de onde viria a maior parte dos lucros, caracteriza uma pirâmide, crime contra a economia popular.

O MP do Acre pediu e a Justiça paralisou a companhia em 18 de junho passado. Após vários recursos, a Ympactus criou outra estratégia e pediu recuperação judicial, pedido negado nesta terça-feira (24).

Em um vídeo criticando a decisão da Justiça, o diretor e sócio da empresa, Carlos Costa, reclama da sentença e, aos 6:48 da gravação, mostra uma lista de credores datada do dia 16 deste mês, relação que teria sido apresentada à Vara de Recuperação Empresarial e Falência de Vitória. A Telexfree Inc., a americana, é a segunda maior credora: cobra R$ 29 milhões, entre comissões e licenciamento pelo uso da marca. O contrato entre as duas terias sido rompido no último dia 1º de março.

Entre os demais credores há prestadores de serviços, advogados e a União.

“Olha só. Essa aqui é a relação de débitos que nós apresentamos para a justiça. Vamos lá, deve ter aqui cinco ou seis credores. Lógico, que graças a Deus, que quem tem mais a receber aqui são os nossos divulgadores”.

“Já o Brasil inteiro sabe, até fora do Brasil, que retido nosso, nós temos lá na casa dos R$ 600 milhões. Então essa importância com certeza dá para pagar a importância na casa dos R$ 291 (milhões)”, diz.

Carlos Costa promete entrar nesta quarta-feira (25) com uma apelação contra a decisão do juiz, de negar o pedido da Lei de Falências.

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