Conjuntura

Brasil entra para a lista de países com maior risco para investimento

País foi rebaixado pela agência de classificação de risco Standard & Poor's

Da Editoria de Economia
Da Editoria de Economia
Publicado em 10/09/2015 às 10:45
Diego Nigro/JC Imagem
País foi rebaixado pela agência de classificação de risco Standard & Poor's - FOTO: Diego Nigro/JC Imagem
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A agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) – uma das três principais no mundo – cortou nesta quarta-feira (9) à noite a nota de crédito do Brasil, retirando o selo de bom pagador do País. Agora, significa dizer que o Brasil está entre os países especulativos, que não são seguros para investidores. Numa metáfora futebolística, caímos para a 2ª divisão. O primeiro efeito deste rebaixamento deve ser no câmbio. O dólar, que já beira os R$ 4 (R$ 3,79 ontem), pode subir ainda mais porque investidores, em momentos de desconfiança, preferem a segurança da moeda americana.

Com o dólar mais caro, diversos produtos que usam matéria-prima em dólar (pão, celular, bebidas, eletrônicos, roupas etc) ficarão mais caros. A crise ficou mais grave. O Brasil teve a nota rebaixada de BBB- para BB+. A agência colocou a nota em perspectiva negativa, o que aponta grande possibilidade de novo rebaixamento. A perda do grau de investimento era, no âmbito econômico, o que o governo mais temia. De certa forma previsível, é o reflexo de vários equívocos cometidos pelo governo Dilma Rousseff no 1º mandato.

Em comunicado, a S&P disse que os desafios políticos que o Brasil enfrenta continuam a crescer, pesando sobre a habilidade e capacidade do governo de submeter ao Congresso um orçamento para 2016 consistente com o ajuste sinalizado durante a primeira parte do segundo mandato de Dilma.

A S&P lembra que a proposta de Orçamento para 2016 inclui uma revisão da meta de superávit primário, menos de seis semanas após o governo ter anunciado outra redução. Isso significaria três anos seguidos de déficit primário e dívida líquida crescente se não forem adotadas medidas para elevar as receitas ou reduzir os gastos.
A perspectiva negativa, complementa a agência, significa que a S&P tem grandes chances de fazer novo rebaixamento da nota caso a deterioração da situação fiscal persista.

Vale lembrar que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, enfrenta grandes dificuldades (no próprio governo, inclusive) para implementar o ajuste fiscal que melhoria nossa contas. Em julho passado, a S&P manteve inalterada a nota brasileira, apesar de ter rebaixado a perspectiva para negativa. Na época, a analista para a América Latina Lisa Schineller afirmou que a agência tinha a expectativa de que o Brasil revertesse as atuais condições de implementação de sua política fiscal. Pelo jeito, o Brasil não conseguiu. O grau de investimento foi conquistado em 2008. Agora, resta ao País esperar a decisão das outras duas agências globais de risco, Moodys e Fitch.

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