CONTAS

Pagar dívidas ou investir? Saiba como usar o dinheiro do FGTS

A Caixa deve liberar o calendário de saque em fevereiro deste ano. Saques acontecem em março

Da Editoria de Economia
Da Editoria de Economia
Publicado em 25/01/2017 às 10:31
Foto: Fotos Públicas
A Caixa deve liberar o calendário de saque em fevereiro deste ano. Saques acontecem em março - FOTO: Foto: Fotos Públicas
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É grande a expectativa para a liberação do saque do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) das contas inativas dos trabalhadores com carteira assinada que foram demitidos ou pediram demissão até o dia 31 de dezembro de 2015. O calendário está previsto para sair no dia 14 deste mês e os saques a partir de março, mas muita gente já tem planos para o dinheiro, que promete trazer alívio aos orçamentos de famílias endividadas. Em momentos de crise, é importante usar com consciência a renda extra. 

A intenção do governo com a liberação do recurso é de permitir que as famílias quitem os débitos para voltar a consumir e, consequentemente, movimentar a economia. Em 2016, 58 milhões de pessoas estavam inadimplentes no Brasil. “Com o dinheiro em mãos, é importante buscar descontos. Quem tem dívidas com cartão de crédito, principalmente nas modalidades mais caras, como o rotativo ou cheque especial, deve tentar negociar junto às instituições financeiras, pedir a remoção dos juros ou multas”, orienta o professor de economia da Faculdade dos Guararapes, Roberto Ferreira. 

É vantajoso também pagar impostos à vista, se a família tiver condições financeiras, visto que alguns municípios dão descontos. Recife dá abatimento de 10% e Jaboatão dos Guararapes e Olinda de 30% no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para quem pagar a cota única, por exemplo. Já no Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), o desconto é de 7%. Também dá para negociar no pagamento à vista na escola dos filhos. 

Para quem não está em maus lençóis financeiramente falando, é interessante tornar o dinheiro rentável, com aplicação em investimentos. Atualmente, o FGTS rende 3% ao ano mais Taxa Referencial (TR). Os valores estão abaixo da inflação de 6,29%. Ou seja, não há ganho real. A poupança, que teve uma fuga grande de recursos, rendeu 8,3% em 2016.

A orientação do professor Roberto Ferreira é apostar em fundos de renda fixa, especialmente o Tesouro Direito. Essa modalidade permite aplicações a partir de R$ 30. “Ao procurar fundos de renda fixa, é importante buscar aquelas com taxas de administração inferiores a 1% ao ano. A ideia é aplicar por mais de 2 anos, pois o Imposto de Renda fica em torno de 15%. Se alguém tirar nos primeiros seis meses, vai pagar 22,5% de imposto”, explica. 

Investir é a escolha do professor universitário Higor Santos. Ele trabalhou em uma instituição particular de 2010 a 2012. Depois, passou em um concurso e saiu do emprego. Ele pretende sacar o dinheiro acumulado nesse período e colocar no Tesouro Direto ou na bolsa de valores. “O problema do FGTS é que o rendimento é muito baixo. No Tesouro Direto e na bolsa de valores, os rendimentos variam entre 12% e 15% ao ano”, comenta. A bolsa de valores garantiu o maior retorno aos investidores em 2016, de 38,94%. Porém, é um investimento arriscado e exige conhecimento sobre o mercado financeiro. 

Existem três tipos de títulos do Tesouro Direto: o tesouro pré-fixado Letra do Tesouro Nacional (LTN), tesouro Nota do Tesouro Nacional (NTN), que rende de acordo com o IPCA e uma taxa real de 7%, e o tesouro direto Selic, a taxa básica de juros fixada em 13%. 

CONSULTA

Para consultar a quantia disponível no FGTS, é preciso ter o número do Programa de Integração Social (PIS) e cadastrar uma senha no site da Caixa Econômica Federal, no endereço www.caixa.gov.br. A consulta pode ser feita no site, no aplicativo do FGTS, internet banking, terminais de autoatendimento, por meio do Cartão do Cidadão ou pelo serviço de atendimento ao cliente, através do telefone 0800-726-0207.

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