COMBUSTÍVEIS

Com alta de combustíveis, etanol fica mais competitivo

Preço do etanol ficou defasado nos últimos anos por causa do controle de preços artificiais da gasolina

Da editoria de Economia
Da editoria de Economia
Publicado em 21/07/2017 às 8:59
Foto: André Nery/Acervo JC Imagem
Preço do etanol ficou defasado nos últimos anos por causa do controle de preços artificiais da gasolina - FOTO: Foto: André Nery/Acervo JC Imagem
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O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, acredita que o aumento do PIS/Cofins cobrado ao produtor e ao distribuidor podem contribuir para diminuir a equivalência entre os preços do etanol e da gasolina. Só é vantagem colocar álcool nos veículos, quando o preço desse último corresponde a 70% do valor cobrado na gasolina, porque o álcool apresenta um rendimento menor no motor do carro por ter uma queima mais rápida. Atualmente, essa equivalência de preço está em mais de 80%.

Com as novas alíquotas do PIS/Cofins divulgadas ontem, o produtor saiu de uma cobrança de R$ 0,12 por litro para R$ 0,13 (também o litro). Ou seja, o acréscimo foi de R$ 0,01. Os produtores de álcool passaram a pagar PIS/Cofins em dezembro do ano passado.

Para o distribuidor de etanol, o PIS/Cofins saíram de zero para R$ 0,19 por litro. O distribuidor compra do produtor e revende aos postos de gasolina.

Renato considera positiva para o setor a diminuição da equivalência dos preços mais próxima dos 70%. “Nos últimos cinco anos, o preço do etanol ficou defasado por causa do controle de preços artificiais da gasolina”, revela. O governo Dilma Rousseff (PT) evitou aumentar o preço da gasolina por razões políticas/eleitoreiras e isso refletiu no preço do álcool.

Ainda de acordo com Renato, o produtor vai ter um aumento de custos “relevante” com o aumento da alíquota do PIS/Cofins cobrado sobre o diesel. As usinas são grandes consumidoras desse combustível, porque ele é usado nos caminhões transportam a cana-de-açúcar.

“O governo federal optou pelo aumento das alíquotas do PIS/Cofins para não dividir essa arrecadação com os Estados e municípios. Isso faz parte de uma estratégia de arrecadação. Os dois também não precisam de noventena e o aumento da arrecadação é imediata”, conta Renato.

A equipe econômica de Temer também cogitou aumentar a alíquota da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) que se ocorresse só começaria a ser cobrada depois de 90 dias pela lei tributária em vigor. A arrecadação da Cide também é dividida entre a União, os Estados e os municípios.

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