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Deflação dos alimentos não traz alívio ao bolso do consumidor

Segundo IPCA, o setor alimentação no domicílio caiu 3,2% em setembro

Da Editoria de Economia
Da Editoria de Economia
Publicado em 22/10/2017 às 7:01
Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas
Segundo IPCA, o setor alimentação no domicílio caiu 3,2% em setembro - FOTO: Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas
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O recuo do grupo “alimentação e bebidas” no Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) está segurando a inflação este ano. Em setembro, apresentou deflação de 0,41%. A prévia do IPCA mostra que o índice ficou em 2,25% no acumulado do ano até outubro, bem distante dos 6,29% fechados no fim do ano passado.

Em Pernambuco, nos últimos doze meses encerrados em setembro, o subgrupo “alimentação em domicílio” apresentou queda de 3,42%. Porém, na prática, alguns consumidores não sentem o alívio nas finanças.

O IPCA analisa os valores com base em dados coletados em estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, concessionárias de serviços públicos e domicílios.

Este ano, o que impactou o resultado foi a supersafra de grãos, que chegou a 242 milhões de toneladas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 30% maior do que a última. Isso afetou produtos como feijão e hortaliças, itens essenciais na cesta básica do brasileiro.

No Estado, o grupo dos cereais, leguminosas e oleaginosas caiu 29,32% nos últimos 12 meses. “No caso do feijão, houve mais oferta do que demanda, foi suficiente para abastecer o mercado.

Em 2017, o clima também ajudou a manter os preços estáveis, diferente da explosão do ano passado”, comenta o presidente do Insituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), Marcelo Eduardo Lüders.

Por outro lado, produtos de pesos importantes permaneceram estáveis ou apresentaram leve alta. A carne, por exemplo, subiu 4,2% no Estado. Aves e ovos, 3,89%, e bebidas e infusões, 2,58%.

“Existe uma desaceleração na maioria dos produtos de alimentação e bebidas, desta forma o grupo é puxado pra baixo. As famílias não sentem a diferença porque itens importantes consumidos diariamente, como a carne, subiu o preço mas não tem força suficiente pra fazer pressão no grupo todo”, comenta o economista do Instituto Fecomércio-PE, Rafael Ramos.

Há vários fatores que influenciam os preços dos alimentos. Os principais são a sazonalidade e a oferta, determinado por safra.
De acordo com o diretor Comercial do grupo Masterboi, Ênio Lima, a carne ainda sofre variação por cortes também. “Acreditamos que os cortes mais nobres vão subir um pouco em função das festas de fim de ano. Já os cortes mais comuns tendem a permanecer com preços estáveis ou até caiam um pouco”, diz.

O empresário Paulo Lucas, dono de um restaurante no Bairro do Recife, notou o aumento em bebidas alcóolicas e a estabilidade nos preços das carnes. Já nas hortaliças, encontrou muita variação.

“Já cheguei a encontrar, na mesma semana, alface por R$ 0,75 e R$ 1,58. No caso das hortaliças, acho que parou de subir, quando comparamos com o ano passado. Também depende muito de onde compra”, finaliza.

No Ceasa, os preços para o atacado, em setembro, refletiram o IPCA. O fardo de 30 quilos do feijão carioquinha caiu 60% na comparação de setembro de 2017 com o mesmo mês do ano anterior.

Já a carne se mantém acima da média histórica, devido à entressafra. Para o chefe do Setor de Informações de Mercado Agrícola, Marcos Barros, o clima ajudou. A previsão é de que os preços fiquem “comportados” até o fim do ano.

SETORES

Rafael Ramos lembra que, além da alimentação, outros itens acabam pesando sobre o orçamento do consumidor. Por exemplo, combustíveis cresceu 11,35% nos últimos 12 meses no Estado encerrados em setembro.

RENDA

A inflação em baixa é um sinal também do desaquecimento da economia. Com a queda no consumo motivada pelo grande número de demissões e endividamento das famílias brasileiras, a demanda por produtos e serviços diminuiu. A renda do brasileiro, achatada por causa das turbulências na economia, está na ponta da cadeia.

O que mostra isso é a queda na renda per capita, relação entre a massa de renda e o número de habitantes do País. Isso inclui todo tipo de rendimento, inclusive oriundos da Previdência. Segundo levantamento da LCA Consultores, a renda per capita do brasileiro caiu 3,02% em 2016. Por causa da desaceleração da inflação, houve uma recuperação e há expectativa de alta real de 2,2% da renda até o fim do ano.

O desemprego influenciou na queda da massa de renda, o que puxou para baixo a renda per capita. Entre os afetados, estão chefes de famílias, pessoas que, em geral, possuem empregos formais, de carteira assinada, e são mais capacitados, afirma o economista da LCA Consultores, Cosmo Donato. “Aumentou o desemprego entre os chefes de família. E a renda deles é muito importante no orçamento familiar. Para compensar, outros membros menos capacitados tentam entrar no mercado de trabalho pela informalidade”, comenta.

Cosmo aponta que 18,7 milhões de pessoas estão ganhando menos do que um salário mínimo no País. E o desemprego e o aumento da informalidade são fatores da crise que influenciaram para isso.

Por isso, mesmo com a queda na inflação, os trabalhadores sentem dificuldade em sentir o alívio no bolso. “Eu sinto que cada vez mais tem mais coisa para pagar, as coisas sobem, mas o salário não acompanha. Este ano, tive aumento só de R$ 20”, comentou a operadora de caixa Tatiana Nunes.

ORIENTAÇÕES

Quem quiser economizar na hora de ir às compras deve seguir algumas orientações. A principal é a de pesquisar em, pelo menos, três supermercados antes de comprar. Também é possível comprar em maiores quantidades junto com vizinhos para economizar, apelando a atacarejos, por exemplo.

“O consumidor tem que encontrar formas de fazer os produtos renderem. Se o tomate está barato, por exemplo, pode fazer um extrato de tomate. É importante pesquisar”, explica a professora de economia doméstica da Universidade Federal Rural de Pernambuco Laurileide Barbosa.

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