Mercado

Com nova regulamentação, psicólogos ampliam atuação via apps

A antiga resolução limitava os serviços e os números de atendimentos dos profissionais

Bruno Vinícius
Bruno Vinícius
Publicado em 21/05/2018 às 7:45
Foto: Divulgação/CFP
A antiga resolução limitava os serviços e os números de atendimentos dos profissionais - FOTO: Foto: Divulgação/CFP
Leitura:

O uso de smartphone tem se consolidado cada vez mais no Brasil. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad C), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 94% dos usuários de internet no País chegam à rede mundial através dos celulares. A facilidade de ter tudo o que se necessita na palma da mão faz com que atendimentos e serviços que antes eram feitos fisicamente comecem a ser oferecidos em aplicativos móveis (apps). Mas quando se trata de atendimentos relacionados a profissões da área de saúde, levantam-se discussões acerca da ética e da regulamentação das novas formas de atendimento online.

No último dia 11 de maio, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) deu o primeiro passo em relação às mudanças tecnológicas: regulamentou os atendimentos psicológicos que são realizados nas plataformas digitais. De acordo com o órgão, a regulamentação nasceu da necessidade de atender às demandas do novo mercado. “As formas de convivência se modificaram e os relacionamentos também. O CFP, que cuida da regulamentação dos serviços prestados pelo psicólogo, estava recebendo muitas demandas para solucionar a questão do atendimento via aplicativo”, explica a conselheira da representação federal da profissão, Rosane Granzotto.

A conselheira afirma que a antiga resolução previa que cada profissional poderia fazer no máximo 20 atendimentos por dia via plataformas digitais, incluindo aplicativos móveis. “A nova resolução visa atualizar a anterior. Agora, não há limitação para consultas ou atendimento psicológico através de meios tecnológicos”, enfatiza Granzotto.

A atualização dos atendimentos via plataformas digitais, prevista para entrar em vigor a partir de outubro deste ano, vai permitir uma liberdade maior para os psicólogos que atendem dessa forma. Mas, de acordo com Rosane, há uma série de exigências para que se tenha um controle da atuação do profissional. “Será possível oferecer consultas ou atendimento psicológico da mesma forma que se faz presencialmente, desde que se atenda às normas. Antes de tudo, é preciso fazer um cadastro no nosso site, porque nosso dever não é apenas orientar os profissionais, mas também de fiscalizar os serviços”, ressalta, informando que o Conselho de Psicologia conta com um banco de dados de quem oferece os serviços online. Entre as regras que devem ser observadas, por exemplo, está o fato de que menores de idade precisam de autorização dos pais para aderirem à terapia online, da mesma forma como ocorre presencialmente.

Camilla Ribeiro, psicóloga de Feira de Santana, na Bahia, faz esse tipo de trabalho via plataforma digital. Ela conta que a ferramenta possibilitou a aproximação de clientes que não podiam ser consultados presencialmente. “Hoje atendo pessoas até de fora do Brasil, que precisaram se mudar e não queriam deixar de ser atendidos por mim”, relata. Ela explica que há diferenças entre o presencial e o virtual. “Atendimento presencial é uma psicoterapia, é mais palpável e pode ajudar em várias situações. O psicólogo consegue analisar mais fatores como o comportamento, por exemplo.” No caso do atendimento online, diz ela, a utilidade é principalmente para questões mais urgentes e focadas em um problema específico.

Além do contato com os pacientes virtualmente, a psicóloga criou o Diário do Psique, aplicativo voltado a oferecer ajuda momentânea a pessoas com ansiedade e outros tipos de transtornos mentais. “A ideia de criar o aplicativo surgiu pelo fato de eu querer ajudar mais o próximo. De poder dar um auxílio empoderado de energias positivas e atividades simples que levam a mudar o dia a dia de quem necessita, mas não sabe onde buscar, ou até tem medo de enfrentar o problema”, conta, alertando que o app não substitui os métodos tradicionais.

MEDICINA

Diferente da psicologia, a regularização dos aplicativos de medicina fica restrita aos programas que fazem agendamento médico. Em fevereiro deste ano, o Conselho Federal da categoria (CFM) decidiu regulamentar os serviços que conectam os profissionais aos pacientes em domicílio. “Os aplicativos se tornam oficias desde que tenha um responsável técnico, para facilitar o trabalho dos conselhos regionais, que é o da fiscalização, caso haja algum problema”, reitera o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco (Cremepe), André Dubeux.

O jornalismo profissional precisa do seu suporte. Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Últimas notícias