DESEMPREGO

Número de trabalhadores com carteira assinada é o menor em 6 anos

A quantidade de trabalhadores com carteira assinada continua em queda e atingiu 32,8 milhões no trimestre encerrado em junho

Da Editoria de Economia
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Publicado em 01/08/2018 às 5:06
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A diminuição no número de desempregados, que passou de 13,5 milhões para 13 milhões no segundo trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2017, não significa necessariamente uma reação positiva do mercado de trabalho. Na prática, foi o aumento da informalidade e contratações no funcionalismo público que ajudaram a sustentar o desempenho. Em paralelo, a quantidade de trabalhadores com carteira assinada continua em queda e atingiu 32,8 milhões no trimestre encerrado em junho. Este é o número mais baixo registrado desde o início da série histórica, em 2012, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.

“A queda no número de trabalhadores com carteira assinada (houve perda de 497 mil vagas com carteira assinada em um ano) é um novo recorde negativo. Emprego com carteira assinada é muito importante para a economia. Para o trabalhador, confere mais segurança, no caso de algum problema. Em geral, são os empregos formais que oferecem remuneração melhor e resultam no pagamento de contribuições para o governo, para a Previdência e o FGTS, por exemplo”, explica Bruno Ottoni, pesquisador associado do FGV Ibre e do IDados, empresa de pesquisa e consultoria.

Segundo o IBGE, o Brasil tem pelo menos 37 milhões de postos de trabalho informais. O cálculo inclui os empregados sem carteira assinada no setor privado, trabalhadores domésticos sem carteira, ocupados por conta própria sem CNPJ, empregadores sem CNPJ e pessoas que atuam como trabalhador familiar auxiliar. Na comparação do segundo trimestre deste ano com o mesmo período do ano passado, o emprego sem carteira no setor privado teve aumento de 3,5%, com 367 mil empregados a mais, e o trabalho por conta própria cresceu 2,5% no período, com 555 mil pessoas a mais.

Cláudio Clovis da Silva Júnior, 19 anos, é um dos trabalhadores a engrossar as fileiras da informalidade. Com o cenário de crise, vender bolo de rolo na rua foi a solução encontrada por ele para garantir uma renda. “Terminei o ensino médio e fui em busca de emprego. Durante um ano e três meses fiquei exclusivamente procurando trabalho. Como não consegui, passei a vender bolo de rolo na rua para poder ajudar em casa. Apenas minha mãe está trabalhando. Meu pai está desempregado e eu estou fazendo o que posso”, lamenta Cláudio.

Outro reflexo da crise é o aumento do trabalho doméstico informal. No segundo trimestre de 2018, havia 127 mil trabalhadores domésticos a mais do que no mesmo período de 2017: 31 mil empregados perderam a carteira assinada, enquanto outros 158 mil passaram a trabalhar sem o vínculo formal.

A perda da carteira assinada se reflete no poder aquisitivo desses trabalhadores, já que um empregado doméstico formalizado recebe, em média, R$ 1.212 mensais, contra apenas R$ 730 recebidos pelos trabalhadores domésticos sem carteira. “Quarenta por cento dos trabalhadores domésticos não têm carteira assinada. Ou seja, o rendimento é o menor, abaixo da média (dos trabalhadores)”, disse o coordenador de Trabalho e Rendimento IBGE, Cimar Azeredo.

SETOR PÚBLICO

Mas não foi só a informalidade que contribuiu para a diminuição no número de desocupados. A adoção de uma política anti-cíclica do setor público foram determinantes para sustentar o desempenho do mercado de trabalho aferido pela Pnad Contínua de junho, afirma o professor da faculdade de economia da USP e coordenador do Salariômetro da Fipe, Hélio Zylberstajn. No segundo trimestre, a administração pública contratou 588 mil pessoas. Em um ano, o setor público gerou 310 mil vagas, sendo 66 mil com carteira, 130 mil sem carteira e 114 mil como militar e funcionário público estatutário.

“O setor público correu para contratar. A proximidade da eleição levou a uma contratação muito forte e repentina, já que o setor público tem um prazo para contratação em ano eleitoral, que venceu no fim de abril”, explicou Zylberstajn.

A indústria também criou postos. Em um ano, gerou 143 mil vagas, uma alta de 1,2% no total de ocupados no setor no segundo trimestre deste ano ante o mesmo trimestre de 2017. Também houve aumento em setores como alojamento e alimentação (133 mil empregados), outros serviços (267 mil pessoas), defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (571 mil vagas), transporte, armazenagem e correio (29 mil vagas) e serviços domésticos (100 mil). Já construção cortou 170 mil postos de trabalho no período de um ano. O número de ocupados encolheu 2,5% no período. Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura também cortaram vagas e registraram menos 158 mil empregados, um recuo de 1,8% no total de ocupados. O comércio demitiu 24 mil empregados, ligeira queda de 0,1% na ocupação no setor.

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