SAÚDE SUPLEMENTAR

Planos odontológicos crescem mais que planos de saúde

Apenas entre maio e agosto de 2018, os odontológicos registraram 695.583 vínculos a mais, um crescimento de 3% no período

Lucas Moraes
Lucas Moraes
Publicado em 20/10/2018 às 7:00
Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
Apenas entre maio e agosto de 2018, os odontológicos registraram 695.583 vínculos a mais, um crescimento de 3% no período - FOTO: Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
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Seguindo o caminho contrário dos planos de saúde médico-hospitalares, os planos exclusivamente odontológicos têm conseguido bons resultados nos últimos anos e aumentado consideravelmente o número de beneficiários. Apenas entre maio e agosto de 2018, os odontológicos registraram 695.583 vínculos a mais, um crescimento de 3% no período, ao passo que os médico-hospitalares tiveram variação de apenas 0,2%, conforme a Nota de Acompanhamento de Beneficiários do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), apresentada no mês de agosto.

De acordo com o advogado especialista em saúde, Elano Figueiredo, o crescimento dos planos odontológicos segue um movimento contínuo e, embora pareça contraditório, impulsionado pela recessão econômica. “Nós estamos diante de um processo de conscientização do brasileiro, quando entende a importância não só do plano de saúde, mas a importância da saúde bucal. E isso tem se dado até mesmo num período de crise e desemprego, já que o preço da mensalidade dos planos odontológicos são menores do que os planos de saúde em geral”, afirma Figueiredo. Segundo dados do Sindicato Nacional de Odontologia de Grupo (Sinog), o ticket médio dos planos odontológicos é de R$ 14,65, enquanto os dos planos hospitalares é de RS 263,60.

Em maio de 2018, os planos odontológicos superaram a marca de 23 milhões de beneficiários. O segmento coletivo empresarial continua a responder pela maior parte dos vínculos, com 16,9 milhões de beneficiários, ou seja, 74,4% do mercado. Em Pernambuco, o número de beneficiários era de 898 mil até agosto, crescimento de 4% em relação ao mesmo período de 2017.

Um exemplo da expansão das redes odontológicas no Estado é o Plano Odonto Digital Clin (antigo Ortoclin), que está fechando os oito consultórios que mantinha em Pernambuco, Paraíba e Alagoas, e se transformando na primeira plataforma digital odontológica do Brasil. Ao todo, a rede conta agora com mais de 8 mil dentistas credenciados e atendimento disponível em todo o País. “Aumentamos a rede quatro vezes nos últimos dois anos. Somente em 2018 já crescemos 26,5% e ainda esperamos crescer 20% até o fim de deste ano”, conta o CEO da empresa, Breno Neves.

Segundo ele, a rede hoje já atende 5 mil clientes, que pagam de R$ 18 a R$ 40 no caso de, respectivamente, serem pessoa jurídica ou física. “Cerca de 90% dos nossos clientes são dos planos odontológicos coletivos empresarias. Aqueles que são pessoa física seguem o perfil de estarem nas classes C e D e não terem plano de saúde. Temos apostado muito no crescimento do plano odontológico e estamos investindo cerca de R$ 150 mil a R$ 180 mil ao mês”, reitera Neves.

IDOSOS

Embora enfrentem dificuldades, os planos de saúde ficaram no positivo em relação ao aumento do número de beneficiários acima dos 59 anos. Dos 47,3 milhões de beneficiários médico-hospitalares em agosto, mais da metade (29,1 milhões) tinha entre 19 e 58 anos e 6,9 milhões estavam com 59 anos ou mais. Em comparação com o mesmo período de 2017, o número de beneficiários entre 19 a 58 anos caiu 0,3%. A faixa de 59 anos aumentou 2,5% .

“Em épocas de crise, define-se para quem é mais importante o plano de saúde, que nessa caso é o idoso. Houve uma retração de 0 a 18 anos, especialmente no que diz respeito aos dependentes. O brasileiro tem priorizado quem teoricamente precisa ter plano de saúde na família. Além disso, há o processo natural de envelhecimento da população”, explica Figueiredo.

 

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