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Empresas familiares têm pouca governança, aponta estudo

Em média, a métrica de Governança Corporativa do IBCG, mostra que a pontuação é de 34,6, numa escala que vai até 100

Rute Arruda
Rute Arruda
Publicado em 02/09/2019 às 16:35
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Foto: Hara Fotógrafo/ Divulgação
Em média, a métrica de Governança Corporativa do IBCG, mostra que a pontuação é de 34,6, numa escala que vai até 100 - FOTO: Foto: Hara Fotógrafo/ Divulgação
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As empresas de capital fechado brasileiras estão engatinhando em governança corporativa, mostram os dados da Pesquisa IBGC, do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa divulgados nesta segunda-feira (02) em São Paulo. Segundo o trabalho, as companhias estão no estágio inicial na adoção de boas práticas de governança, conjunto de processos que regulam a maneira como uma empresa é dirigida.

Luiz Martha, gerente de pesquisa e conteúdo do IBGC, diz que, apesar de as empresas de capital fechado não dependerem do mercado de capitais para captação de recursos, a governança ajuda na tomada de decisões.

“A governança pode ajudar a empresa ser melhor administrada e ter chances para atingir longevidade maior. Práticas de governança não são apenas para empresas de capital aberto. Ajudam a empresa a gerenciar melhor os riscos, tratar melhor seus talentos, tomar melhores decisões e pensar melhor sua estrutura de capital”, disse.

“Governança é a gestão empresarial acrescida de princípios éticos”, resumiu o fundador e instrutor do IBGC, Lélio Lauretti, para quem não seria ético, por exemplo, aumentar a lucratividade trocando pessoas, o capital humano, por novas tecnologias.

Em média, a Métrica de Governança Corporativa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) mostra que a pontuação é de 34,6, numa escala que vai até 100. Segundo o IBGC, elas superam o estágio embrionário, mas têm pela frente as etapas intermediárias e avançada. A maior parte das analisadas são companhias familiares.

As empresas participantes do projeto responderam um questionário online com perguntas sobre estrutura da administração (diretoria e conselho de administração), transparência e órgãos de fiscalização e controle, além de outros temas.

O trabalho constatou ainda que há uma tendência de busca por práticas de governança corporativa, conforme cresce o faturamento da empresa. As pequenas, com faturamento de até R$ 20 milhões, têm uma pontuação de 19,1. As médias, que faturam até R$ 100 milhões, tiveram 26,6 pontos, enquanto as médias grandes (até R$ 400 milhões), têm 39,9 pontos e as grandes (acima de R$ 400 mi), 46,6 pontos.

Com relação ao controle societário, a maioria das 103 empresas pesquisadas são familiares, mas também há corporações estatais pesquisadas e essas atingiram a maior média em relação à governança, com pontuação geral de 45,2. “A lei das estatais as obrigam a tomar algumas práticas de governança e isso influencia”, diz Martha. Já as familiares tiveram uma média de 34,6 de pontuação.

Uma pequena parte das companhias analisadas são do Nordeste: duas do Ceará e uma de Pernambuco, outra da Paraíba e mais uma de Alagoas. “Não fizemos um recorte regional dos dados para evitar interpretações erradas, já que não é o foco do trabalho. A gente ainda está no esforço para divulgar a pesquisa fora do eixo sul. Mas no Nordeste tivemos uma boa participação das empresas familiares.”

O IBGC lançou um documento de orientação de governança para startups, feito por grupo de empreendedores e financiadores do ecossistema. “O IBGC foi um centro catalisador da discussão, até porque não temos especialidade em governança de startups, então trouxemos os especialistas. Estamos entendendo como funcionam, para construir programa de mentoria para starutps em governança e pensar em iniciativas”, comentou Martha.

COMPANHIAS ABERTAS

Já as empresas brasileiras de capital aberto, com ações negociadas em Bolsa, adotam, na média 51,1% das práticas recomendadas pelo Código Brasileiro de Governança Corporativa - Companhias Abertas. Para chegar a este número, o IBGC analisou quantitativamente 338 informes de governança 2019, documento que toda companhia registrada como categoria A da Instrução Normativa 480 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), teve de entregar este ano.

O trabalho identificou que a empresa de capital aberto e melhor desempenho cumpre 98% das recomendações e a pior, 8,7%. “Observamos um avanço, com maior aderência às práticas mais processuais e formalização, no segundo ano”. disse Denise Giffoni, gerente sênior da EY.

O documento de entrega obrigatória à CVM, adota o “pratique ou explique”, consagrado por códigos de governança que são referência mundial. O modelo não exige a adoção de todas as recomendações, mas prevê que as empresas se justifiquem quando não adotam uma prática. Os dados foram anunciados durante o 20º Congresso IBGC realizado em São Paulo nesta segunda-feira (02).

O IBGC foi fundado em 1995 e hoje é referência em governança corporativa e tem por objetivo em disseminar as melhores práticas em governança corporativa para contribuir com o desempenho sustentável das organizações.

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