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Fernando Castilho: Nem petroleira nem ninguém demonstra interesse na bacia Pernambuco-Paraíba

Colunista de economia do JC, Fernando Castilho, analisa resultado da 16ª Rodada de Licitações do governo federal

JC Online
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Publicado em 11/10/2019 às 7:45
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Foto: Divulgação/Petrobras
Colunista de economia do JC, Fernando Castilho, analisa resultado da 16ª Rodada de Licitações do governo federal - FOTO: Foto: Divulgação/Petrobras
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Fernando Castilho é colunista do JC

A 16ª Rodada de Licitações arrecadou R$ 8,9 bilhões em bônus de assinatura. Foi um valor recorde entre as rodadas no regime de concessão já realizadas. O sucesso do leilão é inquestionável, mas o mercado mandou um recado ao governo: Nenhuma petroleira demonstrou interesse nos blocos das bacias de Camamu-Almada e Jacuípe. E mais uma vez não houve nenhuma oferta para a bacia Pernambuco-Paraíba. Neste caso, a questão ambiental não foi a razão do resultado, mas falta de interesse mesmo.

Sobre das bacias de Camamu-Almada e Jacuípe, dificilmente haverá interesse. É lá onde está o Parque Marinho de Abrolhos. Na verdade, antes mesmo da implantação do parque, em 1922, houve perfuração do poço nas proximidades do Rio da Serra, no município de Camamu. E de lá para cá sempre houve alguma atenção. Mas a ANP nunca tinha ofertado a área. E parece que o mercado deu um recado para a ousadia do governo. As mesmas companhias que pagaram caro por outras áreas ignoraram o litígio existente na área.

Abrolhos está protegido

As razões passam longe do fato dos estudos de viabilidade ambiental realizados na área não serem suficientes para afastar os riscos da atividade exploratória. Na verdade, a questão ambiental num país com a imagem internacional tão desgastada no assunto, por força das queimadas na Amazônia, afastou interessados. Qual companhia petrolífera estaria disposta a pagar o risco internacional de perfurar poços num santuário? Ao menos, por enquanto, Abrolhos está protegido. Mesmo o mercado de petróleo não está disposto a paga um bônus que custe caro à imagem.

Mas o fato mais importante não é “desinteresse” pela área de Abrolhos, mas a chegada da Patronas, a petroleira da Malásia, que chegou com força. Levou sozinha duas áreas e pôs 20% do bônus na área mais cara, junto com a francesa total e a Qatar Petroleum International (QPI), gastando nos três blocos R$ 1,9 bilhão.

Outra estrangeira que chegou forte no leilão foi a Qatar Petroleum International (QPI) que estará participando de três áreas depois de ter gasto R$ 1,9 bilhão.

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