INFLAÇÃO

FGV: alta no preço de serviços muda perfil da inflação

No entanto, em abril deste ano, as commodities agrícolas não apresentaram elevações de preços tão intensas quanto às registrados no ano passado

Aline Souza
Aline Souza
Publicado em 09/05/2011 às 13:47
Foto: Ricardo B. Labastier/JC Imagem
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A inflação percebida pelo consumidor está "mudando de perfil", na análise do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. Para o especialista, diferentemente do que ocorreu no ano passado, atualmente a inflação sentida no varejo não é mais composta principalmente por altas nos preços dos alimentos, e sim por aumentos expressivos nos preços de serviços.

Ele fez o comentário hoje, ao analisar o comportamento do núcleo da inflação varejista do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), que subiu 0,55% em abril, maior patamar desde maio de 2005 (0,73%). Usado para mensurar tendências, o núcleo é calculado a partir da exclusão das principais quedas, e das mais significativas altas de preços no varejo. Ele comentou que, no ano passado, quando ocorreram "repiques" na variação do núcleo, estas foram causadas pela disseminação de aumentos nos preços dos alimentos, pressionados por uma onda de elevações nas commodities (matérias-primas) agrícolas no cenário internacional, e no mercado doméstico brasileiro.

No entanto, em abril deste ano, as commodities agrícolas não apresentaram elevações de preços tão intensas quanto às registrados no ano passado. Os alimentos também não apresentam elevações de preços da mesma magnitude que a observada no segundo semestre de 2010. Agora, o que "empurra" o núcleo para cima, de acordo com Quadros, são as elevações de preços de serviços, como manicure, dentista, cabeleireiro, no varejo brasileiro. "Inflação de serviços é inflação de demanda", lembrou.

Para o especialista, é preciso uma continuidade, por parte do Banco Central (BC), na trajetória de elevação da taxa básica de juros (Selic) nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) para ajudar a conter o avanço da demanda no mercado interno. "Com o avanço da inflação dos alimentos no ano passado, e das commodities, não havia muito o que fazer, afinal, as commodities respondiam à demanda no mercado internacional", avaliou o especialista. "Mas o avanço da demanda no mercado interno tem como ser combatido pelo governo", comentou.

Quadros classificou as recentes elevações na taxa Selic por parte do BC como "tímidas". "Mas o lado positivo é que o BC já deu sinais de que esta dosagem (nos aumentos da Selic) vai deixar de ser tímida", comentou.

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