PANIFICAÇÃO

Energia não vai encarecer o pão

No lugar de apenas repassar a alta da tarifa de energia, donos de padarias correm atrás de alternativas para reduzir custos

Diogo Menezes
Diogo Menezes
Publicado em 12/05/2011 às 9:09
Foto: Sílvio Menezes/JC
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Uma boa notícia, mesmo que passível de mudança, vem da indústria da panificação. Os empresários do setor não pretendem repassar o reajuste da conta de luz, que começou a valer no último dia 29, para o preço do pãozinho. O quilo do pão custa hoje, em média, entre R$ 6 e R$ 7,50 no Recife e Região Metropolitana. Ao invés de cobrar mais caro e correr o risco de afugentar a clientela, os donos de padarias e delicatessen vêm buscando alternativas para baratear os custos de seu negócio. E a maioria das soluções passa pela modernização.

O empresário Nelson Braz, da Pan Shop, no Centro do Recife, disse estar satisfeito com o resultado dos seus negócios vendendo o quilo do pão a R$ 6,50. "Não vou aumentar. Está muito bom assim". Nelson conseguiu um empréstimo de R$ 200 mil com a Caixa Econômica e já investiu, nos últimos seis meses, metade do valor em novos equipamentos. Comprou um ultracongelador, uma câmara fria, um forno combinado e aguarda a chegada de um forno inteligente, que adquiriu por R$ 32 mil. São peças que custam mais de R$ 20 mil, cada.

Mas Nelson não se arrepende. Ele prepara-se para abrir uma filial da sua padaria na Zona Norte. Ele conta que modernizar seu negócio foi fundamental. A conta de energia que chegava perto de R$ 8 mil, baixou para R$ 5 mil. Além do novo maquinário para a produção de pães, bolos e bolachas, Nelson trocou os aparelhos de ar-condicionado tradicionais pelo split. Além de conquistar novos clientes com uma padaria mais bonita, Nelson garante que a modernização é o mais forte aliado contra a concorrência e o aumento de matéria-prima e de energia elétrica. A última majoração de energia foi de 8,04% para os clientes residenciais e de 8,57% a 9,64% para os grandes consumidores.

O gerente da Carmem Delicatessen, em Boa Viagem, Joaquim Neto, também assegura que o quilo do pão permanecerá no atual preço: R$ 7,40. Há três meses, a empresa comprou o segundo forno elétrico de lastro, um equipamento do tamanho de uma carroceria de caminhão pequeno com capacidade para assar mais de uma centena de pão de um só vez. Outro equipamentos que reduziu bastante os custos com energia foi a câmara de congelamento, onde cerca de 500 pães podem ser armazenados. "O padeiro não precisa chegar de madrugada para fazer o pão. Vai retirando os pães para assar conforme a demanda", explica Joaquim. Ele comemora a redução de 20% nas últimas contas de energia.

Gerente regional da Prática Techinocor, Robson Santana comemora a busca do empresariado local por soluções tecnológicas. "Quem não tem os novos equipamentos gasta mais para produzir, com empregados levando mais tempo no local de trabalho", avalia Santana. Ele orienta o consumidor a se informar sobre o consumo de energia do equipamento antes de adquiri-lo.

O presidente do Sindicato dos Panificadores de Pernambuco, José Cosme, calcula que a energia representa 15% do custo total de uma padaria. O reajuste da conta de luz foi o último aplicado com impacto no setor. Em janeiro, houve o reajuste de 10% no salário dos empregados e, em fevereiro, a farinha de trigo subiu cerca de 20%. "Nossa orientação é que o empresário refaça sua planilha de custos para avaliar se aumenta ou não o quilo do pão".

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