TRABALHO

Salários variam 200% no País

Dados da Rais mostram grande disparidade entre remunerações recebidas pelos trabalhadores no Brasil

Diogo Menezes
Diogo Menezes
Publicado em 12/05/2011 às 9:15
Foto: Sílvio Menezes/JC
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BRASÍLIA e RECIFE - Os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), revelam que persistiram em 2010 "diferenças significativas" de rendimentos do trabalhador entre as diversas unidades da Federação. Na comparação mais extrema, a lacuna entre a maior e a menor remuneração média é de mais de 200%. Em termos nominais, significa uma disparidade de quase cinco salários mínimos. O maior rendimento médio mensal foi verificado no Distrito Federal, de R$ 3.713,84, enquanto que, no Ceará, a remuneração média, no final do ano passado, foi de R$ 1.228,94.

Considerando-se todo o País, o aumento médio do rendimento do trabalhador brasileiro no ano passado foi de 2,57%. Em dezembro de 2009, o trabalhador recebia a cada mês, em média, um salário de R$ 1.698,35 e um ano depois chegou a R$ 1.742,00. Durante os oito anos do governo Lula, o aumento real foi de 21,29%, conforme a Rais.

Por Estados, o maior crescimento real do rendimento no ano passado foi verificado na Paraíba (8,41%) e o menor, no Amazonas (0,71%). Em 2009, o Amazonas também apresentou o pior resultado - que foi negativo em 2,40% -, enquanto Roraima apresentou a maior variação positiva, de 12,48%.

Em relação às regiões, foi verificada uma expansão generalizada, com destaque para o Norte (4,64%) e Centro-Oeste (1,65%). A menor remuneração média foi observada no Nordeste (R$ 1.361,17), enquanto a maior está no Centro-Oeste, de R$ 2.172,54. "Percebe-se a persistência de heterogeneidade de salários entre as regiões, que pode ser explicada não somente pela segmentação geográfica, mas também por influência de outros atributos do trabalhador, como educação, idade e gênero", salientaram os técnicos do Ministério, em nota.

No ano passado, o aumento médio real de salário dos homens foi de 2,62%, ante 2,54% das mulheres. Enquanto o salário mensal médio deles foi de R$ 1.828,71 em 2009 e de R$ 1.876,58 em 2010, o das mulheres subiu de R$ 1.514,99 para R$ 1 553,44.

Em Pernambuco, a remuneração média masculina em 2010 ficou 4,30% acima dos valores de 2009, totalizando R$ 1.408,78. Já para as mulheres, o crescimento observado foi bem menor, de apenas 2,01%, atingindo R$ 1.311,39. O rendimento real médio do pernambucano ficou, portanto, 3,44% maior, com salários médios de R$ 1.370,02.

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