Desenvolvimento

Bairro do Recife avança com o projeto do Porto Novo

Centro de Artesanato dá uma mostra do potencial da região

Adriana Guarda
Adriana Guarda
Publicado em 11/11/2012 às 7:00
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O vaivém de consumidores no Centro de Artesanato e as filas de espera em frente ao Bistrô & Boteco servem como termômetro da receptividade do novo espaço, no Bairro do Recife. O Centro foi o primeiro equipamento do projeto Porto Novo entregue à população. Inaugurado há pouco mais de um mês, o espaço superou as estimativas de público e de vendas e contribuiu para reavivar o turismo no Recife Antigo. O empreendimento também chamou a atenção de empresários para o potencial de negócios do futuro Puerto Madero pernambucano.

Discutido há 6 anos, o projeto Porto Novo vai revitalizar o berço histórico da cidade e transformar antigos armazéns do Porto do Recife, sem operação desde 1992, em espaços de lazer e equipamentos turísticos. Os investimentos, capitaneados por governo e iniciativa privada, vão ultrapassar R$ 300 milhões em 3 anos. O desafio é a briga contra o relógio para entregar tudo até a Copa de 2014.

Antes de o projeto deslanchar e iniciar a construção, foi preciso desenhar o modelo de negócio e de operação, além de enfrentar um longo caminho para obter licenças e autorizações (algumas ainda pendentes) na Prefeitura do Recife, Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A revitalização começa no armazém 7 e vai até o 17, num misto de investimentos públicos e privados. Hotel, marina, museu, terminal de passageiros, cinema, centro de convenções, restaurantes, lojas e escritórios vão despontar nos antigos galpões.

“A população terá acesso à beira do cais, desfrutando de equipamentos modernos, e o porto terá um acréscimo de receita com os arrendamentos e aluguéis”, diz a presidente do Porto do Recife, Marta Kümmer. Sete armazéns (o 9 e do 12 ao 17) foram arrendados por 25 anos (prorrogáveis por mais 25) à Porto Novo Recife S.A. A Sociedade de Propósito Específico (SPE) é controlada atualmente pelo Grupo Excelsior, mas está concluindo negociação com três novos sócios. Com uma área arrendada de 32.341 metros quadrados, a empresa vai pagar R$ 0,26/m² na fase de construção e R$ 2,64/m² na operação dos empreendimentos. Além da receita mensal de R$ 85,3 mil do arrendamento, o Porto do Recife terá 2,71% de participação no faturamento dos negócios.

A revitalização das áreas sem operação e o aumento na movimentação de cargas após a obra de dragagem vai garantir vida nova ao Porto. “Queremos que a empresa volte a ser lucrativa e saudável”, observa Marta, dizendo que a receita com movimentação de cargas em 2011 foi de R$ 20,5 milhões. O Terminal de Passageiros deverá ser arrendado à Agemar e o museu ficará sob a gestão da Fundação Gilberto Freyre, pelo menos no primeiro ano de operação.

Na lista de investimentos públicos do Porto Novo estão o Terminal Marítimo de Passageiros, o Cais do Sertão Memorial Luiz Gonzaga, o Centro de Artesanato e obras de urbanização do cais (R$ 25 milhões), totalizando R$ 100,8 milhões. Do lado da iniciativa privada os investimentos serão superiores a R$ 180 milhões e vão gerar 1.620 empregos diretos na construção e outros 2.664 na operação.

“O sucesso do Centro de Artesanato provou que o Porto Novo será um atrativo grandioso para o Recife. A inauguração aumentou o interesse de investidores na região”, comemora Frederico Amâncio, recém-empossado como secretário estadual de Planejamento. Ele destaca que o Terminal de Passageiros e o Museu Luiz Gonzaga contam com investimento do governo federal do PAC da Copa e do Ministério da Cultura, por meio do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).

O diretor da Porto Novo Recife Sergio de Petribú Bivar diz que a empresa tem pressa em iniciar as obra para garantir a entrega até a Copa de 2014. “A SPE vai abrigar novos sócios porque com o curto espaço de tempo para construir será necessário aportar capital próprio. Com o cronograma apertado não dá para aguardar os trâmites de um financiamento. Mas vamos continuar negociando com BNDES e BNB”, afirma. A empresa contratou a consultoria LMS/TGI para desenvolver o mix, captar os operadores e cuidar da administração. A projeção é que em 2015 o faturamento do complexo de equipamentos alcance R$ 62 milhões e chegue a R$ 68 milhões quando estiver consolidado, contribuindo para turbinar a economia do Bairro do Recife.

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