Economia Criativa

Por dentro da economia do Circo Florilegio

Companhia Togni investe 2 milhões de euros em temporada inédita na América Latina, que começa pelo Recife

Adriana Guarda
Adriana Guarda
Publicado em 30/03/2014 às 8:00
Heudes Regis/JC Imagem
FOTO: Heudes Regis/JC Imagem
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O circo italiano Florilegio “colocou a casa nas costas” e desembarcou em Pernambuco para uma temporada inédita por terras latino-americanas. Com 74 anos de picadeiro, a companhia Togni investiu 2 milhões de euros (R$ 6,2 milhões) para montar - especialmente para o público brasileiro - o Spettacolo Florilegio, que vai passar 4 anos no Brasil e depois chegará a países vizinhos. O desafio da empreitada pode ser medido pelo volume de carga. Numa ousadia para um circo itinerante, o grupo trouxe uma parafernália de 500 toneladas. Por trás da lona verde, armada em Boa Viagem, o circo funciona como uma empresa capaz de dar lições de administração. 


“O nordestino é mais festivo. Gosta mais de circo do que o povo do Sul e do Sudeste. Por isso vamos fazer primeiro seis cidades do Nordeste (Recife, João Pessoa, Natal, Maceió, Aracaju e Salvador). Em função da quantidade de carga, precisávamos escolher entre os portos de Santos (SP) e Suape para nos posicionar estrategicamente”, conta o presidente da companhia, Max Togni. Os 39 contêineres, carregando os truques e a estrutura do circo, navegaram 7.958 quilômetros do Porto de Gênova até Suape. Quando desembarcam, as caixas de aço viram depósitos, camarins, arara para figurino e despensa. Outros oito contêineres se transformam nos 24 apartamentos da vila circense. 

A tecnologia por trás do espetáculo explica a quantidade de “tralha”. “Um circo que viaja não costuma ter toda essa estrutura, mas nós trouxemos muitos diferenciais para o espetáculo, como um palco giratório de 360º em três níveis que levanta, afunda e tem saídas automatizadas que lançam jatos de água e de fogo”, destaca Max. Símbolo do circo ocidental, a lona é um atrativo a parte. Confeccionada pela empresa italiana Scola (especializada em tendas circenses), custou 1 milhão (incluindo cúpula e antenas). 



O circo moderno também demanda um consumo importante de água e energia. Os equipamentos com voltagem diferente do Brasil exigiu a compra de três grandes geradores. O consumo de energia do Florilegio é equivalente ao de 40 apartamentos médios. O palco tem uma piscina com 100 mil litros de água e um dos números de contorcionismo é realizado dentro d’água, num recipiente de acrílico. 

A despesa mensal do circo chega a R$ 500 mil. Por enquanto, a aventura no Brasil está sendo bancada com recursos próprios da companhia e com a receita da bilheteria. O grupo está negociando com algumas empresas para conseguir a aprovação da Lei Rouanet. A companhia Togni conta com patrocínio da Ferrari, mas não inclui cotas em dinheiro. A escuderia doou uma Ferrari F-430, que é usada no principal número de ilusionismo do espetáculo. 

Em Pernambuco, o Florilegio espera vender 70 mil ingressos. Os preços para a temporada, que começou na última quinta-feira e segue até maio, variam de R$ 20 a R$ 100 (com meia entrada para alguns lugares na arquibancada). A companhia também está estudando a venda de bilhetes a preços populares (R$ 10) para escolas municipais do Grande Recife, inicialmente para uma seção dominical. O circo também convidou a população carente do entorno para assistir aos ensaios antes da abertura oficial.

A família Togni não gosta da comparação com o endinheirado concorrente Cirque du Soleil. “A gente é mais circo. Nossa companhia existe há cinco gerações, porque temos paixão pelo circo. Não dá para fazer do circo um negócio de banqueiros”, afirma Max, fazendo referência ao “capitalismo no picadeiro”, protagonizado pelo canadense Cirque du Soleil. “A atividade circense tradicional exige muito trabalho e dá pouco dinheiro”, completa. 

O circo resguarda características corporativas e familiares. A casa, o trabalho, os amigos e, muitas vezes os romances (pelo nomadismo da atividade), estão dentro dessa lona itinerante. “Somos uma família. Eu viajo bastante para organizar as temporadas, mas gosto de ficar na vila circense. É bom estar com pessoas amigas, ter uma rotina”, diz o publicitário Davide Colombo, dentro dos 9 m² de seu minúsculo apartamento-contêiner.

 

Heudes Regis/JC Imagem
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