INDÚSTRIA

Empresários pernambucanos se preparam para serem fornecedores do setor de defesa

Fiepe instalou hoje comitê visando oportunidades de negócios que irão surgir com a abertura do mercado de armamentos no País

Edilson Vieira
Edilson Vieira
Publicado em 29/01/2018 às 15:52
Felipe Jordão/JC Imagem
Fiepe instalou hoje comitê visando oportunidades de negócios que irão surgir com a abertura do mercado de armamentos no País - FOTO: Felipe Jordão/JC Imagem
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Os empresários pernambucanos passam a contar com um comitê que vai identificar e orientar sobre as oportunidades de negócios que serão geradas a partir da instalação no Estado de empresas do segmento bélico. A Federação da Indústrias de Pernambuco (Fiepe) e o Ministério da Defesa, assinaram nesta segunda-feira (29), na sede da Fiepe, no Recife, termo de compromisso para criação do Comitê Empresarial da Indústria de Defesa (Comdefesa). O comitê foi anunciado depois que a multinacional suíça Ruag, decidiu investir 15 milhões de euros, cerca de R$ 59 milhões, para implantar uma fábrica de munições em Pernambuco. O comitê será presidido por José Antonio Simon, presidente do Sinduscon-PE.

O ministro da Defesa Raul Jungmann participou da instalação do comitê, junto com o governador em exercício, Raul Henry, e representantes da Marinha, Exército e Aeronáutica. Jungmann disse que Pernambuco está partindo na frente ao criar condições para que se estabeleça aqui um futuro polo de indústrias do setor de defesa. “Este mercado está atualmente concentrado no Sul e Sudeste do País, e representa 3,7% do PIB brasileiro, algo em torno de R$ 200 bilhões, e gera 40 mil empregos diretos”, afirmou o ministro.

Jungmann disse ainda que o setor de defesa não diz respeito apenas a indústria bélica, envolvendo outros setores como vestuário, alimentos, calçados e, principalmente, o desenvolvimento de software. O comitê terá a missão de criar uma cadeia de fornecedores tanto para a Ruag, como para as outras empresas do setor que posam vir a se instalar aqui. “A Ruag decidiu vir para Pernambuco porque encontrou aqui apoio dos governos estadual e Federal mas, sobretudo, porque aqui existe um pólo de tecnologia, que é o Porto Digital”, lembrou Jungmann, afirmando que, entre as empresas fornecedoras, muitas deverão ser as desenvolvedoras de softwares.

DEFESA

Raul Jungmann disse que, no momento, não há nenhum acordo com outras empresas estrangeiras, além da Ruag, para instalação em Pernambuco. Jungmann revelou que, até março deste ano, será montada uma missão empresarial com destino a China, India, Grécia, Argélia e, possivelmente Arábia Saudita para buscar interessados em investir em projetos na região. As empresas do setor de Defesa contam com incentivos fiscais via Fundo de Desenvolvimento do Nordeste, BNDES e PRODEPE.

Segundo Ricardo Essinger, presidente da Fiepe, o comitê também irá capacitar os empresários para serem fornecedores do Ministério da Defesa. ”O Ministério da Defesa é um grande cliente, um grande comprador de insumos. E Pernambuco estava fora desse mercado. Com a chegada da Ruag a ideia é que o estado seja um fornecedor de produtos e serviços, desde a infra-estrutura até o setor metal-mecânica, de vestuário e alimentos”. Essinger disse ainda que o Sindicato da Indústria da Construção Civil foi chamado para capitanear o comitê pela experiência que o setor tem com licitações e vendas ao Governo. A atual composição do comitê terá dois anos para atrair empresários e formatar negócios. O grupo fará sua primeira reunião de trabalho no próximo dia 08 de março, na sede da Fiepe.

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