Usina

Fornecedores se articulam para arrendar Catende

Processo de falência se arrasta desde 1995

Do JC Online
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Publicado em 14/06/2012 às 0:30
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A Associação dos Fornecedores de Cana-de-Açúcar de Pernambuco (AFCPE) está se articulando para formar cooperativa com a finalidade de assumir unidades produtivas. Um dos primeiros alvos seria a Usina Catende, que está se arrastando num processo de falência desde 1995. “ Já estamos nos articulando para marcar uma reunião com um grupo de credores”, explicou o presidente da AFCPE, Alexandre Andrade Lima.

Ainda sem data marcada, a reunião dos credores também teria a participação do atual procurador geral do Estado, Tiago Norões e do ex- procurador Tadeu Alencar. O grupo também está se articulando com o Banco do Nordeste, que entraria com o financiamento necessário para que a cooperativa entrasse como administradora de uma unidade industrial. A Catende é importante para os fornecedores porque, na última safra, cerca de 800 produtores venderam a sua colheita para a empresa.


Alexandre também argumentou que o secretário-geral da presidência da República, Gilberto Carvalho, também se comprometeu a ajudar na formação dessas cooperativas de trabalhadores para administrar unidades industriais. No dia 26 de abril de 2011, Gilberto Carvalho afirmou, numa visita a Pernambuco, que a Petrobras iria comprar a Catende, o que não ocorreu.


O processo de falência da Catende se arrasta há mais de 17 anos. Nesse período, quatro síndicos administraram a massa falida. O atual síndico, Carlos Antonio Fernandes Vieira assumiu em 2009 e na gestão dele ocorreram greve de trabalhadores, demissão de 2,3 mil funcionários, atraso no pagamento de salários, entre outros. Também na atual administração, duas cheias (em 2010 e 2011)danificaram o parque industrial da Catende, localizado as margens do Rio Pirangi, na Mata Sul.


O terceiro síndico foi Marivaldo Andrade, ex- sindicalista. Ele foi afastado pelo juiz Sílvio Romero Beltrão por ter cometidos “irregularidades graves”, incluindo uma folha de pagamento dos trabalhadores rurais no valor superior a R$ 1 milhão. Na gestão dele, os trabalhadores receberam cestas básicas, substituindo o pagamento de salários. Os trabalhadores também pediram empréstimos ao Pronaf e uma parte do dinheiro era cedido para a administração da massa falida via uma cooperativa que representava os trabalhadores. Atualmente, o grupo que apoiava Marivaldo critica o atual síndico.


A Usina Catende não teve mais uma safra completa desde 2010. Naquele ano, a empresa iniciou a safra em novembro, quando geralmente a colheita começa em setembro. Este ano, a moagem foi interrompida para a realização do leilão, que aconteceu nesta quarta-feira, mas não teve compradores.


O processo de falência foi iniciado com a ajuda do então governador Miguel Arraes e também contou com o apoio da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetape). Na época, a intenção era fazer uma gestão socialista com a participação dos trabalhadores. Para isso, foi criada a Cooperativa Agrícola Harmonia, que representava os trabalhadores da Catende.

HISTÓRICO
Fundada em 1890, a Usina Catende no início tinha o nome de Correia da Silva, em homenagem ao então vice-governador do Estado, segundo informações do site da Fundação Joaquim Nabuco. Ela foi construída pelo inglês Carlos Sinden e seu sogro Felipe Paes de Oliveira.


Oficialmente, passou a se chamar Catende em 1892. Ela funcionava no antigo engenho Milagre da Conceição. Nos seus primeiros anos de existência, o empreendimento não deu certo e foi entregue aos seus credores. Entre eles, estava o Banco de Pernambuco.

A empresa só passou a ser bem sucedida em 1907, quando foi comprada pela firma Mendes Lima & Cia, que fez uma reforma nas suas instalações em 1912 e aumentou a sua capacidade de moagem para 1000 toneladas diárias, de acordo com a Fundaj. Até então, a empresa só processava 200 toneladas diariamente.

Depois dessa gestão, a usina foi comprada pela empresa Costa, Oliveira & Cia. Em 1929, a usina era a maior do Brasil na produção de açúcar e na capacidade de moer. Na época,  tinha 43 engenhos e  uma ferrovia de 140 quilômetros para transportar os seus produtos.

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