Habitação

Preço de imóvel desacelera

Índices ainda mostram alta, mas na comparação com o histórico recente do Grande Recife, houve redução no movimento

Giovanni Sandes
Giovanni Sandes
Publicado em 05/07/2012 às 8:30
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Depois de acumular, nos últimos anos, altas expressivas nos preços de imóveis, a subida nos valores de apartamentos recifenses começou a desacelerar, segundo corretores e empresários do ramo imobiliário. Isso não significa haver queda de preços: os índices ainda mostram alta, especialmente se comparados ao resto do Brasil. Mas, na comparação com o histórico recente do Grande Recife, houve redução no ritmo de alta. O mercado fala em “acomodação” de preços.

Um exemplo é um apartamento de 70 metros quadrados no Bairro de Campo Grande, que custava por volta de R$ 150 mil em junho de 2010. Em 12 meses, ele subiu para R$ 230 mil. Porém, em mais um ano, alcançou R$ 280 mil.

“"Está realmente havendo uma acomodação de preços. Não quer dizer que seja uma baixa, nem bolha, mas passamos da euforia do mercado”", afirma Frederico Mendonça, diretor da Imobiliária Arrecifes.

"“Nesta época do ano, geralmente, há uma baixa na procura. Isso é normal. Agora, que os preços desaceleraram, estão se estabilizando, isso é verdade"”, comenta o corretor da E&M Imóveis, Emanoel Lima. Ele dá como exemplo um apartamento de dois quartos e 70 metros quadrados em Boa Viagem, hoje oferecido a R$ 300 mil, mesmo preço, há um ano, de um três quartos mais dependência de empregado. “"Os valores chegaram a um nível muito expressivo”", suaviza.

O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-PE), Daniel Melo, diz que a categoria tem comentado o movimento de mercado. "“A subida de preços deu uma desaquecida. Mas não queda"”, diz o presidente do Creci-PE.

Apesar de não traduzir com fidelidade o comportamento do mercado, por se restringir a preços registrados no Portal Zap Imóveis, o FipeZap, produzido com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mostra que no segundo trimestre deste ano, período normalmente de redução nas vendas, os preços subiram 2,2%. Embora no mesmo período de menos negociações, no mesmo trimestre, em 2011, a houve alta de 5,8%.

Edneide Carvalho é corretora há mais de 20 anos. Ela diz que os preços não estacionaram, mas que houve uma reduzida na marcha. “"Os preços subiram muito e o poder aquisitivo da população às vezes não alcança"”, acredita a corretora. É o que pensa Frederico Mendonça, da Arrecifes. "“Se não chegamos ao topo dos preços, estamos perto. As pessoas não estão mais tendo condições de suportar”", comenta ele.

Diretor da DMC Imóveis, José Carlos Miranda ressalta que não há desaceleração nas vendas. “"Estamos experimentando uma redução de oferta de apartamentos novos, porque ainda não se resolveu a burocracia para a emissão do memorial de incorporação. Sem ele, as construtoras não podem fazer lançamentos”", explica José Carlos.

Ainda de acordo com o diretor da DMC, o problema é que o cliente tem preferência por imóveis novos, por falta de poupança para comprar um usado ou a entrada de imóveis nos saldos remanescentes das construtoras -– prédios recém-entregues, mas com apartamentos não vendidos.

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