Porto do Recife

Dragagem do Porto do Recife é questionada

Obra no terminal previa atingir 12 metros de calado, mas documento da Marinha valida apenas profundidade próxima a 11,4 m

Raissa Ebrahim
Raissa Ebrahim
Publicado em 25/08/2012 às 9:00
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Depois do atraso de quase dois meses em decorrência de problemas técnicos, o Porto do Recife recebeu ontem da Marinha a carta náutica homologando a dragagem do terminal, aguardada desde 2009. Segundo a Capitania dos Portos de Pernambuco, no entanto, a obra, no valor de R$ 23 milhões, concluída em maio deste ano, não conseguiu atingir a profundidade de 12 metros que havia sido prevista.

O aumento do calado, como é chamado tecnicamente, é essencial para o recebimento de navios de maior porte e consequentemente para a nova fase do porto, que tem investido pesado no crescimento e na diversificação de carga.

O capitão Ricardo Padilha informou que o documento que será enviado ao terminal está sendo elaborado e irá repassar que tipos de navios, com base na profundidade, podem atracar a partir de agora. “Pelo que estamos fechando, o novo calado deve passar dos atuais 9 metros para próximo de 11,4 metros”, calcula. “Esses números já representam uma profundidade considerada razoável. Não é a ideal nem a projetada, mas irá permitir a entrada de navios maiores e possibilitar o crescimento”, destaca Padilha. Com o nível de 12 metros, segundo o capitão, o terminal poderia receber embarcações com até 11,5 metros de profundidade. Isso porque há uma margem em função da maré e dos ventos.

O fato é que, para uma dragagem que se estende desde 2009, o Porto do Recife precisará investir em mais uma obra para chegar ao nível que projetou. Procurada, a presidente do terminal, Marta Kümmer, estava em reunião, no Rio de Janeiro, com profissionais do Centro de Hidrografia da Marinha (CHM) do Brasil. “Marta Kümmer reafirma que o Porto do Recife mantém o seu objetivo de obter um calado de até 11,5 metros e fará os esforços necessários para alcançá-lo”, dizia a nota enviada ao jornal.

Contratada para entregar o estudo da batimetria (verificação da profundidade) da estatal, a empresa Eicomnor enviou, em maio, os dados ao CHM num formato que o órgão não conseguiu ler. O erro terminou atrasando o processo. Em 2009, o Porto do Recife concluiu uma dragagem pequena, mas a carta náutica apontou que a área de atracação continuava quase com o mesmo calado, chegando a 10,4 metros em alguns pontos.

SUAPE - Segundo dados da Marinha, a verificação de profundidade pós-dragagem do Porto organizado de Suape também passou pelo mesmo erro técnico de envio de arquivos à Marinha em formato errado. Atualmente o processo encontra-se arquivado. A assessoria de imprensa de Suape informou que o problema já está sendo resolvido e que não trará maiores consequências, pois a obra refere-se à área do Estaleiro Promar, ainda em fase de implantação. Das 13 obras de dragagem concluídas com recursos do PAC no Brasil, a Marinha, por enquanto, só validou a que foi feita em uma das áreas de Suape.

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