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Pesquisa aponta que 35 milhões de brasileiros tiveram acesso ao crédito

Em quase dez anos, a relação crédito-PIB praticamente dobrou, passando de 24% em 2003 para 50% este ano

Lara Holanda
Lara Holanda
Publicado em 27/09/2012 às 13:36
Foto: reprodução de internet
Em quase dez anos, a relação crédito-PIB praticamente dobrou, passando de 24% em 2003 para 50% este ano - FOTO: Foto: reprodução de internet
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Nos últimos cinco anos, 35 milhões de brasileiros tiveram acesso ao crédito pela primeira vez. Nesse período, a relação crédito-PIB passou de 24% em 2003 para 50% este ano. Essa expansão sustentou o aquecimento do consumo das famílias, é o que aponta a pesquisa nacional Endividamento e Inadimplência: verdades e mitos, apresentado nesta quinta-feira (27) pela Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central de Proteção de Crédito (SCPC).

O aumento da formalização do emprego e e uma série de medidas econômicas como o processo de queda de juros foram fatores que permitiram a entrada de uma importante parcela da população no mercado de consumo. No entanto, a expansão do crédito também merece atenção no que diz respeito ao controle dos gastos das famílias e a inadimplência.

Segundo o levantamento, a consequência da aceleração do crédito levou ao aumento do endividamento. "Segundo o Banco Central, em janeiro de 2005 o endividamento das famílias com o sistema financeiro era de 18,4% da renda.Em maio de 2012 esse número mais do que dobrou, chegando a 43,4%", diz a publicação.

Entre as questões avaliadas pela pesquisa, a Boa Vista revisitou percepções tradicionais sobre o mercado de crédito, como a afirmação de que o consumidor prioriza o valor das parcelas, em detrimento dos juros. Para 30% dos entrevistados, o valor das parcelas é mais importante que o dos juros quando vão fazer um financiamento, enquanto 22% se preocupam primeiro com os juros. O número de prestações aparece como o mais importante para 15% dos entrevistados.

O levantamento também aponta que as classes com menor renda são as que têm maior dificuldade para pagar suas contas em dia, diferente da ideia que se tinha de que esses consumidores conseguiam pagar suas contas até o vencimento: enquanto 15% da classe A afirma que é difícil pagar as contas em dia, o percentual na classe C foi de 45%, enquanto nas classes D e E, chegou a 48%.

O presidente da Boa Vista, Dorival Dourado, aponta que o desemprego aparece como o principal causador da incapacidade de pagamento para 34% dos entrevistados. "Aqui há um paradoxo. O Brasil trabalha com taxas de pleno emprego, mas o turnover, principalmente nas atividades menos especializadas e onde se concentram as pessoas de baixa renda, é extremamente alto, além do que a realocação desse trabalhador demora duas vezes mais do que dos outros profissionais", observa.

A pesquisa inédita foi realizada em todo o País e avalia o comportamento dos brasileiros em relação ao crédito. “A publicação ajuda a entender esse movimento e é uma ferramenta de qualidade a ser utilizada em favor da construção de um sistema de crédito sustentável”, afirma Dorival Dourado, reforçando que o objetivo do trabalho foi analisar as mudanças recentes no comportamento do consumidor brasileiro.

O levantamento foi publicado como o terceiro livro da série Mercados, desenvolvido pela Boa Vista, com o objetivo de colaborar com uma melhor compreensão do comportamento do consumidor brasileiro diante da expensão do crédito.

Mais informações no Jornal do Commercio desta sexta-feira

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