Queixa

Médico protesta contra planos

Por causa de baixos honorários, categoria não atenderá clientes do Hapvida, Sulamérica, Ideal Saúde e Intermédica nos dias 15 a 19

Do JC Online
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Publicado em 04/10/2012 às 11:55
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Os médicos de Pernambuco iniciam na semana que vem um movimento de protesto contra os valores dos honorários pagos pelas operadoras de plano de saúde. A categoria os considera muito baixos. A movimentação terá seu ápice na semana seguinte, entre os dias 15 e 19 de outubro, período em que os profissionais prometem não atender clientes das operadoras Hapvida, Sulamérica, Ideal Saúde e os produtos da Intermédica, que tem as marcas Interclínicas e Notre Dame. A paralisação terá potencial de atingir 500 mil usuários, segundo cálculos da diretora do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), Malu David. Atendimentos de urgência, emergência e tratamentos como hemodiálise, quimioterapia e radioterapia serão respeitados.

“Esses planos não utilizam a CBHPM e não negociam os valores”, acusa outro diretor do Simepe e presidente da Comissão de Honorários Médicos de Pernambuco, Mário Fernando Lins. A CBHPM é a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos que serve de referência para os valores pagos. “A tabela está em vigor desde 2010 e nós queremos que os planos paguem a banda média de valores. Nas consultas, isso representa R$ 60”, comentou.

O movimento tem início na semana que vem. De segunda a sexta os profissionais vão divulgar em outdoors e cartazes o protesto. Na quarta-feira haverá mobilização da categoria em local ainda a ser definido pelo Simepe.

A mobilização dos médicos é nacional e é articulada por três entidades que representam a classe médica nacionalmente, o Conselho Federal de Medicina, Associação Médica Brasileira e Federação Nacional dos Médicos. O representante da Comissão Nacional de Honorários, Florisval Meinão, diz que a ideia é denunciar os baixos repasses. “As remunerações são baixíssimas. O que temos visto ao longo dos anos é que as operadoras aumentam as mensalidades dos usuários utilizando índices acima da inflação ao passo que reajustam os honorários com índices inferiores à inflação.”

O Hapvida diz que seus 260 mil usuários de Pernambuco devem se tranquilizar pois “não haverá descontinuidade no atendimento” e que o movimento em seus cinco hospitais será mantido. A diretora do Ideal Saúde, Uelitânia Duarte, disse que a decisão dos médicos é unilateral e que a sua empresa não foi procurada pelos profissionais. A SulAmérica informa que possui um relacionamento próximo e aberto com os prestadores médicos e que reajustou a tabela de pagamento de consultas em 126,92% nos últimos 10 anos. “Superior aos índices inflacionários do período.” A FenaSaúde, que representa planos como a Intermédica, não respondeu.

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