Macroeconomia

Aumento de renda pressiona a inflação na mesa do pernambucano

Aliados à seca, aumento do salário mínimo e transferência de renda geram maior demanda por produtos alimentícios

Leonardo Spinelli
Leonardo Spinelli
Publicado em 19/03/2013 às 8:05
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Um fator importante vem inflacionando a mesa do consumidor pernambucano, além da seca. Trata-se do aumento de renda da população local e dos programas de transferência de renda, que pressionam o preço dos alimentos mais do que em outras regiões onde o público beneficiado é menor. Para os economistas, esse fenômeno é chamado de pressão de demanda, que na região vem combinada com a pressão de oferta: menor produção por causa da seca. 

O grupo alimentação e bebidas foi o que mais impactou na inflação medida pelo IPCA de fevereiro no Recife. A inflação na capital pernambucana, em 12 meses, de 7,44%, já está maior do que o teto da meta de 6,5% estabelecida pelo governo  para este ano. Em janeiro e fevereiro o grupo alimentação ficou mais caro 2,61%, enquanto o IPCA do período no Recife registrou 1,89%.

Por concentrar uma maior quantidade de famílias mais pobres, o ganho extra é revertido na compra de mais alimentos. “O Bolsa Família joga no mercado uma quantidade grande de consumidores e na região Nordeste a demanda fica mais aquecida. Então, temos uma pressão pelo aumento de renda que gera um excedente de consumo”, avalia economista-chefe da administradora Multinvest, Osvaldo Moraes.

Para o professor do departamento de Economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Alexandre Rands, a influência mais forte  é o ganho salarial, que teria um impacto maior sobre a inflação do que os programas de transferência de renda. “Existe o conceito de aumento da demanda pela renda, mas nos alimentos esse fator é mais baixo. O que impacta na inflação é o ganho real do salário mínimo, pois este eleva o custo da produção, enquanto o Bolsa Família influencia apenas na renda”, considera. 

O economista Aldemir do Vale, da consultoria Ceplan, reforça a ideia da inflação por demanda, mas lembra que a seca tem uma grande importância nesses últimos meses, pois na sua visão, o ganho do salário mínimo sobre a inflação acontece “desde o governo FHC”. “O ganho a mais pressiona a demanda naturalmente. Mas a estiagem, que é sazonal, tem o seu papel. Não dá para saber qual é a preponderante, mas com relação ao salário é uma questão estrutural”, comentou.

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