Debate

Indústria do petróleo em Suape é alvo de críticas

Caminho de crescimento é o ponto mais criticado do modelo de desenvolvimento implantado no Litoral Sul

Leonardo Spinelli
Leonardo Spinelli
Publicado em 25/08/2013 às 16:43
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O caminho do crescimento trilhado pela indústria de petróleo, gás e offshore é também o principal ponto das críticas contra o modelo de desenvolvimento econômico implantado no Litoral Sul. “O petróleo é uma indústria suja e do século passado”, diz o professor da UFPE Heitor Scalambrini, especialista em energia. “Não existe risco zero em engenharia”, argumenta, citando um estudo realizado pela Academia de Ciências dos Estados Unidos. “Atividades navais são responsáveis por 33% dos vazamentos de petróleo no ambiente marinho”, alerta. Para ele, os tubarões na praia de Boa Viagem são apenas uma pequena parte dos efeitos colaterais de Suape. Os riscos de acidentes ecológicos tendem a crescer, à medida que a movimentação de óleo aumente no litoral pernambucano, quando a Refinaria começar a operar, no fim de 2014.

O professor classifica os estaleiros navais – a exemplo do Atlântico Sul, que já entregou dois navios, o Promar e o CMO, em construção – como uma indústria suja. Também critica a forma como a indústria de Suape alimenta sua produção. “O Brasil começou com leilões de termoelétricas (a partir do apagão de 2001) que geram energia a partir do óleo combustível”, salienta. Além da TermoPernambuco, que faz parte desse sistema de segurança energética, a refinaria vai passar a operar outra térmica naquela região. Será a quarta. “Juntas, a TermoPernambuco, a UTE TermoCabo, a Suape II e a nova termelétrica da refinaria vão jogar mais de mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera quando em funcionamento”, calcula.

A economista Tânia Bacelar, ressalva, no entanto, que esse é um problema “positivo”. “É melhor ter essa indústria do que não tê-la”, opina. Ela lembra que é importante para Pernambuco ter entrado na cadeia produtiva escolhida pelo Brasil para se desenvolver nos próximos anos e cujo o maior trunfo são os campos do Pré-sal. Além disso, o desenvolvimento industrial tem repercussões em toda a economia, como no setor de serviços. 

A sua empresa, a Ceplan, presta consultoria para Suape, assim como inúmeros outros escritórios locais desenvolvem trabalhos para as indústrias que lá chegam. “Se não fosse isso, estaríamos buscando clientes em outros Estados”, completa. Tânia Bacelar reconhece que ainda há muito a ser feito com relação à preservação ambiental daquela região, e destaca a importância de a sociedade ficar de olho nas atividades desenvolvidas no território. As recentes manifestações populares que aconteceram de forma pacífica no Recife não chamaram a atenção das autoridades sobre esse aspecto ambiental. 

Com relação ao tema social, a professora destaca que as indústrias e os esforços de educação que estão em implantação, tanto do Estado como da própria indústria, podem salvar os filhos dos trabalhadores da cana, que durante séculos foram condenados à ignorância e à miséria da cultura canavieira. A nova geração da Mata Sul tem hoje, finalmente, uma opção.

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