ANÁLISE

Empresas devem enxugar custos e reduzir estoques

Alerta é do economista chefe da CNC, que prevê 2015 como um ano difícil para as empresas

Emídia Felipe
Emídia Felipe
Publicado em 05/09/2014 às 9:17
Rodrigo Moreira/Divulgação
Alerta é do economista chefe da CNC, que prevê 2015 como um ano difícil para as empresas - Rodrigo Moreira/Divulgação
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Se a otimização dos estoques e o corte de custos já deviam fazer parte da rotina das micro e pequenas empresas, essas práticas precisam ser levadas ainda mais a sério com o cenário que se desenha para 2015. O alerta é do economista chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu Gomes, que palestrou ontem para empresários locais, a convite da Fecomercio de Pernambuco.

Em sua apresentação, Carlos Thadeu desenhou a situação atual da economia dos pontos de vista interno e externo. Por ambos os ângulos, a situação atual é preocupante, com a tendência de alta do dólar, queda em todos os índices de confiança do consumidor, desaceleração do consumo, redução da atividade industrial, e diminuição da criação de novas vagas de trabalho. Por outro lado, ele lembra que o País não está em situação grave como nas décadas de 1980 e 1990. “O Brasil ainda tem condições de atrair recursos, por isso é preciso fazer algo agora”, comentou.

O Brasil ainda tem condições de atrair recursos, por isso é preciso fazer algo agora

Carlos Thadeu, economista

Para Carlos Thadeu, o controle dos juros e da inflação deve ser tratado de modo mais sério. “Não adianta forçar os bancos a abrirem o crédito se as pessoas não podem pegar porque estão endividadas”, critica, “o grande desafio do próximo governo será investir”. Considerando essa conjuntura e o aumento de tarifas esperado para 2015, ele orientou os empresários a não acumularem estoques desnecessários, não apenas pelo alto custo dessa falha de gestão mas também porque esse dinheiro poderia ser empregado no mercado de capitais, que está remunerando bem especialmente na renda fixa.

Para os micro e pequenos empresários nordestinos e pernambucanos, Carlos Thadeu pontua que, embora o Nordeste seja impactado pelo movimento nacional de estagnação, a situação da região alivia esses efeitos. “Aqui, assim como no Norte, há muita transferência de renda, investimentos em obras públicas que movimentam o mercado de trabalho e a dependência da indústria é menor”, analisa.

Ele lembra que, mesmo oprimidos pelas altas taxas de juros, que deixam o crédito quase inacessível, as MPEs do comércio poderão respirar mais alividas neste segundo semestre, devido às liberações de recursos típicas da época, como 13º salário, e às vendas do Natal. “O Natal vai ser a rendeção do comércio”, frisou o especialista. “Mas é preciso manter a gestão muito enxuta, cortando gastos e evitando principalmente acúmulo de estoque”, ratifica.

 

Veja a apresentação de Carlos Thadeu:

 

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