Consumo

Carnes ajudam a estourar teto da meta de inflação

A inflação acumulada do item no ano, até setembro, fechou em 12,23% no Brasil e em 13,87% na RMR

Raíssa Ebrahim
Raíssa Ebrahim
Publicado em 10/10/2014 às 5:45
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Depois de três meses consecutivos de variação negativa, o preço dos alimentos e das bebidas voltou a subir em setembro, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os itens dessa cesta voltaram a pressionar a inflação, medida oficialmente pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O preço da carne chamou atenção na pesquisa divulgada ontem, referente ao IPCA no mês passado. Quem costuma ir ao supermercado já sabe que a proteína anda salgando a conta no caixa, levando muitas famílias a pesquisar mais antes de comprar e a substituir a carne vermelha por frango, ovo, suíno e peixe.

Infográfico

IPCA - 9/10/2014

Ontem o secretário de política econômica, Márcio Holland, foi criticado por ter dito, em coletiva de imprensa, que o brasileiro precisa pensar em migrar para outros produtos quando alguns itens estão mais caros. Braço direito do ministro da Fazenda Guido Mantega, Holland sugeriu que o consumidor desse prioridade às carnes de frango e suína, que sofreram aumentos menores de preços.

São proteínas cujo preço não subiu tanto, por terem criações muito baseadas em ração. A safra maior de grãos como soja, milho e trigo nos Estados Unidos ajudou a reduzir alguns custos de produção e a cotação de outros alimentos.

A carne está entre os itens que mais colaboraram para que o IPCA estourasse o teto da meta estipulada pelo governo (6,5%) no acumulado dos últimos 12 meses, fechando setembro com variação de 6,75% no período. 

Somente a carne chegou a uma inflação acumulada no ano, até setembro, de 12,23% no Brasil e de 13,87% na Região Metropolitana do Recife (RMR). Olhando a variação mensal, o salto foi de 3,17% no mês passado no Brasil e de 2,57% na RMR. Em agosto, a variação mensal havia sido de 0,43% e 1,21%, respectivamente.

Alguns especialistas prevêem que, até o fim do ano, a carne pode acumular uma alta próxima a 20%. A variação está perto do que a autônoma Regina Campos vivencia no supermercado entre 2014 e 2013. Elas costuma gastar R$ 200 mensais apenas com o item. “Está muito caro. Carnes especiais como filé e picanha, só em ocasiões especiais”, diz. O empresário Willians Melo foi checar o preço das carnes num supermercado na RMR ontem e desistiu de comprar. Preferiu procurar outras opções. 

EXPORTAÇÃO

Enquanto no mercado interno o preço sobe, empresas do setor de exportação de bovinos comemoram os bons negócios deste ano. A indústria de carne brasileira registrou alta de 10,87% em faturamento com vendas externas e 7,09% em volume exportado entre janeiro e setembro, comparado com o mesmo período de 2013. No acumulado do ano, o País exportou 1,164 milhão de toneladas ante 1,08 milhão de toneladas em 2013. As vendas em 2014 alcançaram US$ 5,3 bilhões contra US$ 4,7 bilhões registrados no ano anterior. Os 10 principais destinos são, nesta ordem, Hong Kong, Rússia, União Européia, Venezuela, Egito, Irã, Chile, EUA, Angola, Argélia.

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