Reciclagem

Folia é época dos catadores ganharem 13º

Amape realiza campanha para estimular a cadeia de reciclagem

Talita Barbosa
Talita Barbosa
Publicado em 16/02/2015 às 9:43
Foto:  Fernando da Hora / JC Imagem
Amape realiza campanha para estimular a cadeia de reciclagem - FOTO: Foto: Fernando da Hora / JC Imagem
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O Carnaval não representa só diversão para os recicladores recifenses. Todo ano, durante as prévias e os dias da folia, a Associação Meio Ambiente Preservar e Educar (Amape), realiza uma campanha para estimular a cadeia da reciclagem, que depende tanto dos catadores, quanto do consumidor. Nesse período, com o aumento no consumo de bebidas em latas, a arrecadação total gira em torno de R$ 800 mil.

A Amape é uma organização sem fins lucrativos que desenvolve ações que promovam a gestão sustentável de resíduos e a inclusão dos catadores. 

De acordo com o diretor da associação, Sérgio Nascimento, o trabalho dos recicladores é fundamental não só para o setor, mas para a sociedade como um todo. “Desde 2010 que a gente vem realizando esse trabalho para que o reciclador possa ser visto como alguém a serviço da sociedade. Embora as pessoas não percebam, não olhem para eles. Esses profissionais são tão invisíveis quanto o dinheiro que conseguem gerar”, diz. 

Faço minhas compras e pago logo. Se as pessoas se conscientizassem mais, poderiam ajudar nosso trabalho. É só separar o que dá pra reciclar do que não dá, não é difícil e ajuda demais a gente

Jeová Nascimento, reciclador

De acordo com o reciclador Jeová Nascimento, o arrecadado no período carnavalesco corresponde ao seu 13º salário. “O que todo mundo tira em dezembro, eu ganho em fevereiro, com o Carnaval”, conta. Segundo ele, o dinheiro extra ganho no período contribui para manter dois dos sete filhos na escola. “Faço minhas compras e pago logo. Se as pessoas se conscientizassem mais, poderiam ajudar nosso trabalho. É só separar o que dá pra reciclar do que não dá, não é difícil e ajuda demais a gente”, diz o catador de 57 anos. A associação orienta os foliões a repassarem o material reciclado para os catadores, que direcionam o que é arrecadado para os postos de coleta. 

De acordo com o diretor da associação, além daqueles que encontram na reciclagem trabalho e renda, o ganho com o processo é cíclico e quem doa também é beneficiado. “Se o dono de uma padaria doa o material de seu estabelecimento para a reciclagem, o catador vende, recebe e consome naquele local. Se as pessoas parassem para pensar nisso, ajudariam mais esses profissionais”, afirma Nascimento, que conta que este ano alguns blocos firmaram parcerias com a associação a fim de destinar à reciclagem o que é produzido durante os desfiles.

Além desse trabalho, a Amape possui Posto de Entrega Voluntária que recebe materiais recicláveis. Qualquer um que possua esses itens, pode depositá-los no espaço destinado na área externa da associação, ou entrar em contato através do número 3266-4873. Tudo o que é arrecadado é distribuído entre os catadores. 

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