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Classe C volta ao velho bico para completar a renda

Quase metade da nova classe média tem uma renda extra para completar as contas. Expectativa de melhoria de vida caiu

Do JC Online
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Publicado em 08/03/2015 às 8:41
Alexandre Gondim/JC Imagem
Quase metade da nova classe média tem uma renda extra para completar as contas. Expectativa de melhoria de vida caiu - FOTO: Alexandre Gondim/JC Imagem
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O garçom Aldo de Oliveira, 32 anos, trabalha de segunda a sábado e acha tempo aos domingos para fazer um extra. Com um salário de R$ 900, sua renda pode chegar aos R$ 1.500 com as comissões que recebe pelos bons serviços, mas ele ainda faz um extra em festas de bufê infantil para ganhar mais R$ 60 por evento nos finais de semana. “Aumentou o salário mínimo e por isso aumentou tudo, passagem, comida. Tem que ter uma renda extra para fechar as contas”, diz Oliveira, que é casado, tem um filho e está terminando um curso para se tornar eletricista para, assim, ganhar o sábado de folga.

Seu caso é cada vez mais comum entre as famílias brasileiras que se encaixam na classe C. De acordo com pesquisa do Instituto Data Popular, 42% das pessoas dessa classe social partiram para fazer um bico com o intuito de complementar a renda.

“Hoje quem trabalha não consegue negociar melhorias salariais de forma promissora, nem recebe mais propostas de emprego como recebia nos anos anteriores. Por isso, o trabalhador não consegue mais ter perspectiva de melhora de emprego”, diz o presidente do Data Popular, Renato Meirelles. Segundo a pesquisa, para 68% dos nordestinos, o ano de 2015 será pior em termos de emprego. Por isso, muita gente está partindo para a famosa “ôia”. 

Em termos nacionais, o trabalho do instituto identificou que os brasileiros da nova classe média acreditam que os preços continuarão em alta este ano, e com poucas perspectivas de reajustes salariais. Para 52% dos entrevistados, os salários não sofrerão aumento em 2015 e 36% acreditam em aumento abaixo da inflação, enquanto 5% afirmam que os salários terão aumento acima da inflação. 

“Em 2008, durante a crise, detectamos em nossas pesquisas um brasileiro que enxergava que a situação estava difícil, mas que acreditava em melhoras. A gente não tem constatado essa percepção nas nossas pesquisas mais recentes”, diz. No Nordeste, no entanto, a luz ainda está acesa. Segundo a pesquisa, para 62% dos nordestinos, a vida pessoal vai melhorar em 2015. O próprio Aldo Oliveira acredita nisso. 

“Acabou essa história de pernambucano ter de ir para São Paulo ou Rio. Há muita coisa acontecendo aqui. Por isso, estou estudando e pretendo ainda me formar em cinema, é um sonho”, diz.

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