Conjuntura

PIB de Pernambuco despenca no terceiro trimestre de 2015

Queda foi de 5,6% em relação a igual período do ano passado e maior que a do Brasil (4,5%)

Adriana Guarda ADRIANA GUARDA
Adriana Guarda
ADRIANA GUARDA
Publicado em 24/12/2015 às 11:15
Heudes Regis/JC Imagem
Queda foi de 5,6% em relação a igual período do ano passado e maior que a do Brasil (4,5%) - FOTO: Heudes Regis/JC Imagem
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Nos últimos sete anos, a divulgação do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de Pernambuco sempre foi motivo de euforia e comemoração. A economia do Estado se diversificava e crescia acima da média nacional. Chegou a cravar expansão de 7,7% em 2010. Este ano foi diferente. A crise e o reflexo da corrupção sobre a Refinaria Abreu e Lima e os estaleiros em Suape inverteram a curva ascendente. Ontem, durante a divulgação do PIB do terceiro trimestre, não se achavam expressões vibrantes.

A diretoria da Agência de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco (Condepe/Fidem) anunciou uma queda de 5,6% no terceiro trimestre, no confronto com igual período de 2014. Embora os gestores não gostem da comparação (justificando mudanças na economia estadual e na metodologia), o resultado é o pior desde 2003 quando a variação foi de -1,2%. A variação também é pior do que a do Brasil (-4,5%). No acumulado do ano, a queda do PIB foi de 2,2% e a expectativa é fechar 2015 com algo entre -2,5% e 3%.

Todos os setores da economia apresentaram queda no terceiro trimestre, com destaque para a indústria, que teve retração de 8,1%. Hoje os serviços têm 74,9% de participação no PIB pernambucano, seguido pela indústria (21,6%) e agropecuária (3,5%). Principal força da economia local, o setor de serviços sentiu os efeitos da crise econômica e amargou queda de 5,3%. “As principais influências negativas vieram dos setores de transporte (-10,5%), comércio (9,5%) e intermediação financeira e aluguel (6,2%), numa clara demonstração de desaquecimento da economia”, diz o Diretor Executivo de Estudos, Pesquisas e Estatística da Condepe/Fidem, Maurílio Lima.

Na agropecuária, os efeitos da seca continuaram impactando o resultado do setor, que apresentou queda de 1,5%. O desempenho foi impactado pela agropecuária, com encolhimento na produção tanta das lavouras permanentes (-4,8%) quanto das lavouras temporárias (-6,6%). Já a pecuária aparece com resultado positivo (7,1%), puxado pela produção de ovos e leite, mas a pecuária bovina de corte ainda demora a se recuperar da estiagem e reduziu a produção em 8,9%.

PERSPECTIVAS

“Pernambuco teve um terceiro trimestre muito ruim. A partir do segundo trimestre deste ano, há uma inversão na curva de crescimento. Até então a economia local estava crescendo acima da brasileira. Demoramos mais a entrar na crise e vamos sair mais rápido dela. Apesar da queda deste ano, o Estado tem uma economia diferente graças aos investimentos que chegaram nos últimos anos. A economia não parou e temos perspectiva de recuperação. Temos novos setores na matriz industrial, a exemplo do polo automotivo. O Estado também fez seu dever de casa, conseguindo fechar o ano com o pagamento dos servidores em dia e as contas equilibradas”, defende o presidente da Condepe/Fidem, Flávio Figueiredo.

No acumulado de janeiro a setembro, o PIB estadual registra queda de 2,2%, com resultado melhor que o do País (-3,2%). A Condepe/Fidem também projeta um resultado melhor para o Estado no fechamento do ano. A perspectiva é de que a retração da economia fique entre 2,5% e 3%, enquanto o mercado projeta uma redução de 3,7% no PIB brasileiro. “Pernambuco não está imune à crise. Fomos atingidos pela recessão. Em 2016 ainda teremos que nos preparar para um ano difícil, porque ainda teremos uma inversão completa da curva, mas esperamos voltar a crescer firme em 2017”, aposta Figueiredo. 

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