Agronegócio

Brasil avançou na pesquisa agropecuária, mas precisa investir mais

Com 42 anos em operação, Embrapa contribuiu para avanço da atividade

Da Editoria de Economia
Da Editoria de Economia
Publicado em 14/02/2016 às 7:00
Divulgação/Embrapa
Com 42 anos em operação, Embrapa contribuiu para avanço da atividade - FOTO: Divulgação/Embrapa
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Nas últimas quatro décadas, a agropecuária brasileira viveu um período de exuberância. Salto na produção e avanço tecnológico colocaram o País entre os líderes mundiais na oferta de alimentos. Com 42 anos de história, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) pode se gabar dessa expansão. É exemplo de estatal eficiente e que dribla a disparidade de recursos, quando se compara seu orçamento ao de outras instituições no mundo.

O Brasil investe 1,9% do PIB agropecuário em pesquisa. É metade do que aplicam países da Europa e os Estados Unidos. Para continuar avançando e dar conta dos planos ambiciosos de aumento de produção do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) será preciso engodar o caixa da empresa (movimento pouco provável num cenário de recessão). O pleito dos pesquisadores é que não se perca terreno na área.

“Quando o dólar estava na casa de R$ 2,80, o investimento em pesquisa no País se aproximava dos Estados Unidos (US$ 1 bilhão), mas com a moeda no patamar de R$ 4,00, está bastante defasado”, compara o chefe do departamento de Pesquisa & Desenvolvimento da Embrapa, Celso Moretti. Dos R$ 2,8 bilhões de orçamento, cerca de 70% são destinados ao pagamento de profissionais e custeio. A empresa mantém 46 unidades de pesquisa no Brasil, tem 10 mil funcionários (sendo 2,5 mil pesquisadores) e detém uma carteira de 1,2 mil projetos de pesquisa.

Na lista de desafios da empresa para os próximos anos, Moretti destaca a necessidade de produzir alimentos de qualidade com baixo impacto ambiental. “Também estamos atentos ao combate à seca e ao trânsito de pessoas no mundo, que suscita uma preocupação com o controle de pragas e doenças”, observa. Este ano, oito unidades da Embrapa trabalham em conjunto para desenvolver variedades de culturas e plantas resistentes à estiagem, como feijão, milho e sorgo.

As atenções da Embrapa estão voltadas, ainda, para a fruticultura, combatendo as moscas das frutas em vários Estados. “Temos um portfólio de projetos que envolve desde a carambola da região Norte, passando pela manga e uva do Vale do São Francisco, até os citros em Sergipe”, detalha o pesquisador.

Além do trabalho de pesquisa e inovação, a Embrapa também tem expertise em gestão e compartilha experiência com empresas internacionais de pesquisa agropecuária. Hoje a estatal mantém laboratórios virtuais nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia. “Nos orgulhamos em ser referência no mundo e em partilhar esse conhecimento em âmbito global”, reforça Moretti. No Brasil, a empresa participa da Aliança Nacional da Agropecuária, integrada por universidades e outras instituições. Nas muitas apostas da empresa para 2016 está a produção de alimentos com qualidade e em quantidade, mas respeitando o meio ambiente, utilizando menos agrotóxicos, menos poluentes e menos consumo de água.

PERNAMBUCO

Em Pernambuco, a pesquisa agropecuária conta com a tradição do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), que completou 80 anos de atividade no ano passado. A instituição é a segunda mais antiga do País, atrás apenas do centenário Instituto Agronômico de Campinas (SP). Com 90 pesquisadores e orçamento anual de R$ 20 milhões, o IPA mira pesquisas alinhadas às vocações estaduais na agricultura e na pecuária.

O melhoramento genético de bovinos é uma das apostas dos projetos de inovação em Pernambuco. Em 2013 inaugurou em Arcoverde (Sertão) o Laboratório de Reprodução e Melhoramento Genético do Estado. O espaço recebeu investimento de R$ 2 milhões e está equipado para produzir 50 mil doses de sêmen por ano das raças holandesa, girolando e guzerá leiteiro.

Apesar de ser sido inaugurado há quase três anos, o laboratório ainda depende de ajustes na infraestrutura para iniciar a segunda parte do projeto, que é a transferência de embriões. “Precisamos construir baias e fazer outros reparos, mas acreditamos que até agosto vamos oferecer o serviço”, diz o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento do IPA, Antonio Raimundo.

Outra ação também para a pecuária leiteira é a recuperação da palma, que foi praticamente devastada pela praga da cochonilha do carmim, em 2012. “Desenvolvemos cultivares resistentes, como a orelha de elefante e a IPA Sertânia”, diz. Na agricultura estão sendo desenvolvidas cultivares de tomate e cebola adaptadas às condições de solo e clima e resistentes a pragas. Na cultura de sequeiro, cinco variedades de feijão com ciclo de produção mais curto estão servindo aos agricultores familiares.

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