Perfil

A empresária à frente da descontração da Chlorophylla

Chayza Dantas tem apenas 27 anos, mas tem experiência e personalidade suficientes para quebrar padrões

Luiza Freitas
Luiza Freitas
Publicado em 25/09/2016 às 8:22
Fotos: Guaga Matos/ JC Imagem
Chayza Dantas tem apenas 27 anos, mas tem experiência e personalidade suficientes para quebrar padrões - FOTO: Fotos: Guaga Matos/ JC Imagem
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Cara lavada, roupa moderninha, bronze de surfista e fala coloquialmente segura. A primeira impressão é fiel à personalidade da pernambucana Chayza Dantas, 27 anos, há três como diretora da marca de cosméticos Chlorophylla. Seu jeito destoa do perfil comum às executivas de sucesso – mulheres maduras, duronas e de estilo clássico. E ela faz questão de ser mesmo diferente. “Nunca fui a favor de padrões. São sem graça”, resume. E foi imprimindo sua personalidade na marca que a empresa conseguiu crescer 30% em 2015, contrariando todas as dificuldades econômicas.

O desempenho não é por acaso. Apesar da pouca idade, Chayza completa dez anos de experiência. Aos 17 começou a estagiar na empresa de consultoria empresarial da família (a Dantas Empresarial) enquanto estudava ciências contábeis na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). “Poderia ter ficado na empresa da família, mas gosto de me sentir desafiada. Nunca sonhei com determinada profissão. Sempre quis desenvolver algo, esse era meu sonho”, diz.

O início dessa realização começou quando, com apenas 24 anos, um dos clientes da consultoria anunciou que queria vender a marca. Era a Chlorophylla. A empresa paranaense já tinha três anos quando Chayza nasceu e teve seu ponto alto no mercado de cosméticos no início dos anos 2000, quando estava entre as quatro maiores do País, ao lado do O Boticário, Água de Cheiro e L’acqua di Fiori. O Nordeste já representava 60% do faturamento. A marca, no entanto, foi perdendo posicionamento ao longo dos anos, até chegar à decisão da venda.

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Fábrica de Gravatá concentra produção nacional (Foto: Divulgação)

O grupo familiar decidiu adquirir a Chlorophylla, com base em pesquisas de mercado que mostravam que consumidores locais ainda procuravam produtos antigos da marca, mas não os encontravam com tanta facilidade. Sob comando pernambucano, a produção foi transferida para Gravatá, no Agreste, um investimento de R$ 20 milhões, capaz de produzir 2,4 milhões de itens por ano, operando em 70% da sua capacidade. A administração é dividida em dois escritórios no Recife e outro em Salvador.

A reformulação da empresa teve em Chayza uma das vozes mais ativas. Foi ela quem recriou o site da empresa e é sob sua gestão que estão as redes sociais da marca. Também partiu dela o atual slogam – “Mude seu dia” –, a aprovação de todas os novos produtos e a criação de uma nova linha sem gênero, lançada no Dia dos Namorados. “A ideia é não dizer se o perfume é feminino ou masculino. O cliente vai usar o que ele mais gostar, independente do que a sociedade diz”, explica a empresária. 

Ao longo desses três anos como diretora, suas ideias mais ousadas foram se impondo aos poucos. “No começo, sentia que pessoas mais velhas, com mais experiência de mercado, tinham resistência a ideias que fugiam do padrão. Mas, com o tempo, foram aceitando, diante dos resultados”, conta Chayza. 

CONEXÃO

Além da mentalidade jovem, a empresária levou para a marca um pouco de seu espírito de vida, conectado à natureza. Chayza começou a surfar na mesma época em que assumiu a marca e garante que as atividades se complementam. “No surfe você precisa aprender um novo movimento o tempo todo. Nunca pode se acomodar, porque está sempre sendo desafiado.”


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Chayza, nas Maldivas, se sente desafiada no surf (Foto: Acervo pessoal)

A vibe de surfista está presente também na sua pequena sala, localizada no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. Na parede, um quadro pintado sob encomenda pelo grafiteiro Galo de Souza mostra um personagem sentado na areia sob coqueiros tocando violão. Na estante, um fusquinha com pranchas de surf e, sobre a mesa, uma imagem de Buda.

No caso de Chayza, tranquilidade não pode ser confundida com acomodação. “Ainda quero fazer muita coisa, aprender muita coisa. Os próximos da lista são tocar violão, cantar e pintar”, diz. Tudo isso como hobby. Profissão mesmo, só a de empresária – e dentro dos seus próprios padrões. 

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