Comércio exterior

Estados Unidos são o segundo principal parceiro comercial do Brasil

Na relação entre os dois países, saldo da balança é positivo para os EUA

Adriana Guarda
Adriana Guarda
Publicado em 24/01/2017 às 7:30
Heudes Regis/JC Imagem
Na relação entre os dois países, saldo da balança é positivo para os EUA - FOTO: Heudes Regis/JC Imagem
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Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. No ano passado, US$ 23,1 bilhões em produtos nacionais desembarcaram no mercado americano. A decisão do presidente recém-empossado Donald Trump de sair do Tratado de Associação Transpacífico (TPP, na sigla em inglês) será positiva para o Brasil. O acordo garantia condições privilegiadas de acesso ao mercado americano aos 11 países que integravam o bloco junto com os Estados Unidos.

 

“O poderio econômico e a capacidade de negociação em conjunto é muito maior do que a de um país isolado. Imagine o Brasil tentando vender carne para os EUA e disputando com a Austrália, que está no TPP e é um player mundial do setor. Fora do acordo as condições ficam mais parecidas. Isso sem falar que o Brasil não é considerado um país ‘inimigo’ pelos Estados Unidos e nossas chances de avançar em negociações são maiores”, explica o professor do Departamento de Economia da Universidade Federal de Pernambuco e especialista em comércio internacional, Ecio Costa.

Mesmo com a possibilidade de condições mais favoráveis para o comércio brasileiro, a política norte-americana tende a se tornar ainda mais protecionista na gestão Trump. O país costuma impor cotas e tarifas de importações para proteger sua indústria e, sobretudo, os produtores do agronegócio. Na relação com o Brasil, a balança comercial é positiva para os americanos. No ano passado, os norte-americanos compraram US$ 23,1 bilhões em produto nacional, enquanto desembarcou em território brasileiro o equivalente a US$ 23,8 bilhões. Com isso, o Brasil ficou com um saldo negativo de US$ 646,3 milhões.

BLOCOS

“Os Estados Unidos estão dando um tiro no pé ao se retirar do TPP e com a intenção de sair também da Nafta. A tendência mundial é negociar em bloco. O Chile, por exemplo, é o país com o maior número de acordos mundo afora e vem registrando crescimento acima da média dos vizinhos”, observa Costa.

A política internacional de Trump está ancorada na promessa de proteger a indústria norte-americana e os empregos no país. “Trump tem receio de que aconteça com o TPP o mesmo que ocorreu com a Nafta, em que as indústrias americanas podem produzir em locais com mão de obra mais barata (como o México) e reexportar. “Mas essa é uma política equivocada, porque por maior que seja o país ele não deve se isolar. A postura de Trump abre espaço para que os países passem a retaliar os EUA, evitando importar seus produtos”, avalia Costa.

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