DESESTATIZAÇÃO

Governo inclui Copergás em lista de concessão do BNDES

Estudo feito pelo BNDES deve apontar o melhor modelo de participação da iniciativa privada

Da editoria de Economia
Da editoria de Economia
Publicado em 16/03/2017 às 7:01
Foto: Divulgação
Estudo feito pelo BNDES deve apontar o melhor modelo de participação da iniciativa privada - FOTO: Foto: Divulgação
Leitura:

O Banco Nacional de Desenvolvimento do Nordeste (BNDES) vai estudar a melhor forma de desestatizar a Companhia Pernambucana de Gás (Copergás). O governador Paulo Câmara enviou ofício ao banco e teve o pedido atendido. Com isso, será aberto um programa semelhante ao realizado na área de saneamento, em que companhias de seis Estados, incluindo a Compesa, são alvos de análises com a mesma finalidade.

O estudo deve apontar o melhor modelo de participação da iniciativa privada, como a privatização ou uma Parceria Público Privada (PPP).

A Copergás é uma empresa de capital misto, em que o Estado possui 50% de participação mais uma ação. O resto é dividido entre a empresa japonesa Mitsui (24,5%) e a Petrobras Gás S.A. (Gaspetro) (24,5%). 

A companhia é voltada para a canalização e distribuição do gás natural no Estado para o mercado industrial, automotivo, residencial, comercial, termoelétrico, cogeração de energia e a Refinaria Abreu e Lima. A empresa é uma das maiores distribuidoras do Nordeste e a quarta no Brasil em movimentação de gás natural.

“O BNDES demonstrou interesse. O governador não se fechou a nenhuma opção e ofertou. É interessante, é uma opção, o BNDES se dispôs a estudar. Chegando a bom termo, é possível que se leve. Mas é preciso um longo processo. O banco deve acabar esse ano o estudo sobre a viabilidade da venda”, comentou o secretário de Planejamento e Gestão, Márcio Stefanni. 

A Mitsui possui preferência na compra das ações, pois detém 49% da Gaspetro. “A Mitsui tem a preferência de cobrir o preço e levar. Mas se não cobrir, o outro leva”, explica Márcio Steffani. 

Para o setor industrial, a medida deve ser vista com cautela. “Eu vejo com bons olhos, dependendo de como está sendo feito. O governo recentemente fez uma lei, que nós somos contra, que diz que o consumidor livre é aquele que consome 500 mil metros cúbicos. Só uma empresa em Pernambuco consome isso. Isso implica que não vai ter concorrência. Se, por acaso, de repente, vende a Copergás e isso continua a vigorar, vai ter um monopólio”, comenta o diretor-presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), Ricardo Essinger.

Até 2020, a Copergás deseja investir mais de R$ 300 milhões em investimentos. O JC procurou a companhia. Por telefone, a assessoria de imprensa informou que a decisão de procurar o BNDES foi do governo e não disponibilizou porta-voz para entrevista. 

COMPESA

Na próxima terça-feira (21), acontece o pregão eletrônico para contratação do estudo das companhias de saneamento de Pernambuco e de Sergipe. Os leilões serão realizados pelo portal de compras governamentais do governo federal (www.comprasgovernamentais.gov.br), às 10h30.

Últimas notícias