DEPENDÊNCIA

Brasil continua dependente do diesel de fora

Segundo a Fundação Getúlio Vargas, com o parque existente o País transforma parte do petróleo em asfalto

Da Editoria de Economia
Da Editoria de Economia
Publicado em 03/07/2017 às 21:38
Foto: Heudes Régis/ JC Imagem
Segundo a Fundação Getúlio Vargas, com o parque existente o País transforma parte do petróleo em asfalto - FOTO: Foto: Heudes Régis/ JC Imagem
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O País está produzindo mais petróleo. No entanto, continua dependente do óleo diesel importado, um produto de maior valor agregado. O Brasil reduziu a necessidade de importação de petróleo em 44,9% chegando a trazer de fora uma média diária de 178,6 mil barris, segundo informações divulgadas hoje num balanço sobre o setor de petróleo e gás de autoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Os dados também apontam que as exportações de petróleo em 2016 totalizaram 798,2 barris por dia, sendo o maior volume exportado até agora pelo Brasil.

Para a pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Energia, Fernanda Delgado, mesmo com todo o promissor potencial do pré-sal e com a dita autossuficiência nominal, ainda somos dependentes do óleo importado. A grosso modo, a autossuficiência nominal consiste no fato de que o Brasil não traz mais petróleo do exterior.

Inacabada por causa de problemas como a corrupção revelada pela Operação Lava Jato, a Refinaria Abreu e Lima em Suape era um dos projetos da Petrobras que tornaria o Brasil autosuficiente na produção de óleo diesel. A Lava Jato revelou um esquema de propina bilionário envolvendo diretores da Petrobras, donos de empresas e políticos de vários partidos.  

Segundo ela, “mais da metade da produção nacional hoje ainda é composta de óleos de correntes pesadas, das quais derivam, a partir de um processo de refino convencional, produtos mais pesados como, por exemplo, asfaltos. O asfalto é mais barato do que o óleo diesel. A pesquisadora argumenta que se pode extrair gasolina e diesel de óleo pesados, entretanto, os esquemas de refino necessários para isso são mais caros, e em certa medida, ainda não largamente utilizados em nosso parque” de refinarias. Ela afirma que atualmente, a capacidade total de refino do País é aproximadamente 2,3MMbbl (milhões de barris) por dia em 17 refinarias existentes.

READEQUAÇÃO

Desse total, 45% é transformado em diesel, 22% em gasolina, 10% em nafta petroquímica, 9% em gás de cozinha engarrafado em botijão (GLP), 6% em querosene de aviação e 5% em óleo combustível, sendo menores os percentuais de asfaltos, coque e solventes. “Dessa forma, para que se atinja o mix de derivados utilizados no Brasil ainda é necessário importar óleo de correntes leves que, ao se somarem às pesadas correntes nacionais, proporcionam um blend específico de óleos capazes de produzir os derivados de que precisamos. É necessário agora, com quase 50% de óleo leve em nossa produção, readequar o parque de refino, modernizá-lo de forma a aumentar a capacidade de conversão de óleos leves”, argumenta a especialista.

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