PROMOÇÕES

Black Friday traz esperança de retomada do varejo no Estado

Lojas lotadas, filas gigantes e muitas ofertas marcaram Black Friday no Recife

BIANCA BION
BIANCA BION
Publicado em 25/11/2017 às 9:51
Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas
Lojas lotadas, filas gigantes e muitas ofertas marcaram Black Friday no Recife - FOTO: Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas
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Lojas lotadas, filas gigantes e ofertas para todos os lados. Esse era o cenário da Black Friday ontem. Centenas de pessoas nos shoppings e nas ruas do Centro do Recife carregavam sacolas e se viravam como podiam para transportar grandes volumes como os de televisores de 50 polegadas. O motorista Valderi Santana, 40 anos, é um dos que se equilibravam para levar na mão um microondas até o carro. Queria voltar logo à loja para finalizar a compra de uma máquina de lavar, que estava R$ 500 mais barata. “Eu me planejei para levar só o microondas, mas o desconto na máquina está bom”, disse, apressado.

O cenário positivo, bem diferente do encontrado em 2016, trouxe esperanças do início de uma recuperação no varejo local. Empresários dizem que ainda não é o ideal, mas estão mais confiantes com esse aumento na disposição dos clientes para comprar, ou pelo menos, sair de casa para conferir as promoções.


No RioMar, o fluxo de pessoas até as 19h40 foi 20% maior em relação ao ano passado. O shopping abriu às 6h. Neste horário, várias pessoas já esperavam a abertura das grandes lojas, mas não houve tumulto. O mall só encerrou as atividades à meia-noite. Já o Shopping Guararapes, apenas na primeira hora, recebeu 10 mil visitantes, 40% a mais comparado a 2016. As Lojas Americanas tiveram movimentação intensa durante o dia e filas gigantes nas lojas no Centro do Recife e nos shoppings. Na unidade da Rua do Hospício, na quinta-feira à noite, já havia fila de consumidores ansiosos para agarrar os produtos em oferta.

Segundo o economista do Instituto Fecomércio-PE, Rafael Ramos, a movimentação na Black Friday já é um sinal do início da recuperação, o que se confirmou em outras datas importantes para o comércio neste ano. Setores com produtos de maior valor agregado estão reagindo positivamente em 2017, como eletrodomésticos e informática, cita Ramos.

Este ano, muitos consumidores também fizeram a lição de casa e pesquisaram antes de ir às compras. Essa cautela é reflexo da crise econômica que gerou desemprego elevado e endividamento. Por isso, o brasileiro está aprendendo a se organizar financeiramente. Um exemplo é o porteiro Nilson de Paula, 45, que comprou TV, som e dois celulares. Ele começou a pesquisar com três meses de antecedência. “Consegui desconto de R$ 400 no som. Vim às 7h. Tudo saiu do jeito que eu queria, não dei nenhum passo maior do que a perna”, comenta.

Assim como Nilson, muitos clientes focaram em eletrodomésticos. Na Magazine Luiza do Shopping Recife, o movimento foi intenso durante o dia. A expectativa é de crescer 20% em volume de vendas, na comparação com o ano passado, diz o gerente, Bruno Mendonça.

Já alguns empresários de outros setores tiveram expectativas frustradas. Foi o caso de uma unidade da Futurista, na Rua das Calçadas. “Aumentamos o estoque em 20%, mas esperávamos um movimento melhor. Foi bom, mas sentimos que o consumidor está esperando o 13º salário”, diz a assistente de gerente Jézica Amorim.

O presidente da CDL Recife, Eduardo Catão, diz que as confecções não eram o foco do consumidor, mas sim os eletrodomésticos. Segundo ele, na Rua da Palma, onde se concentram várias lojas do setor, o movimento cresceu. “A Black Friday foi um sucesso.” Para quem não conseguiu o que queria ontem, vale lembrar que algumas lojas continuam com descontos até este domingo.

Na internet, eletrodomésticos, telefonia/celulares, eletrônicos, informática, casa e decoração foram os produtos mais buscados. Em Pernambuco, o e-commerce deve movimentar R$ 62 milhões. No meio digital, problemas de edições passadas da Black Friday persistiram com mais intensidade. Até as 20h de ontem, o site Reclame Aqui registrou 1,374 mil queixas, aumento de 16,7% em relação ao mesmo período de 2016. No top três, estavam publicidade enganosa, divergência de preços e problemas para finalizar a compra em sites.

COMÉRCIO JÁ USA INTERMITENTES

A reforma trabalhista regulamentou vários tipos de contratos mais flexíveis, como o intermitente, em que o funcionário ganha por horas trabalhadas. Na Black Friday, algumas empresas já começaram a colocar o modelo em prática.


A Magazine Luiza do Shopping Recife, por exemplo, contratou um reforço de 14 profissionais, incluindo intermitentes, para trabalhar na quinta, sexta e sábado desta semana. Eles estão atendendo os clientes durante 8 horas por dia, com intervalo de uma hora.

“Normalmente, são 34 vendedores. Hoje (ontem), eu tenho um reforço de 14 ao longo do dia. Desde as 6h, o movimento está intenso na loja”, comenta o gerente, Bruno Mendonça.

Uma das pessoas contratadas é Felipe Anderson, 24 anos. Ele ganha R$ 64 por dia, fora o valor proporcional do FGTS, férias e 13º salário por tempo trabalhado. Felipe também recebe vales para alimentação e transporte e tem descanso semanal remunerado.

“Eu trabalhava como DJ sem carteira assinada. Passei quatro anos procurando emprego, mas não consegui. Está muito difícil. Trabalhar no modelo intermitente possibilitou que eu me ocupasse, mesmo que temporariamente”, comenta Felipe Anderson.

O texto da reforma determina que a contratação de intermitentes deve seguir algumas regras, como contrato por escrito discriminando o valor da hora de trabalho (que não pode ser inferior ao valor horário do salário mínimo, estipulado em R$ 4,26). Outros tipos de contratação também são regulamentados, como o home office.

Para o economista Rafael Ramos, a reforma ainda gera muitas dúvidas. “Inicialmente, não vamos perceber essas novas questões trabalhistas em todos os estabelecimentos. Com o tempo, vão romper barreiras e gerar essas novas formas de contratação”, explica.

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