Mercado fonográfico

Música Gospel movimenta um mercado de R$ 2 bilhões por ano

Estilo musical responde por 20% do mercado fonográfico do Brasil, segundo a Abrepe

Adriana Guarda ADRIANA GUARDA
Adriana Guarda
ADRIANA GUARDA
Publicado em 28/01/2018 às 8:40
Foto: Leo Motta/JC Imagem
Estilo musical responde por 20% do mercado fonográfico do Brasil, segundo a Abrepe - FOTO: Foto: Leo Motta/JC Imagem
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 Em apenas cinco dias, o novo single da cantora gospel Mayra Carvalho "Experimenta honrar ao Senhor" teve 50 mil visualizações no YouTube. Na última quinta-feira, quando participou do culto no Templo Central da Assembleia de Deus, emocionou-se quando toda a igreja cantou a música em coro com ela. O hit também foi sucesso no Instagram, com mais de mil seguidores gravando vídeos cantando a canção, inclusive a famosa Priscila Sena, da Musa.

A música gospel foi o primeiro negócio a despontar no promissor mercado evangélico. “A Igreja Renascer em Cristo foi vanguardista neste movimento de expansão da música religiosa para além do culto, ganhando uma feição cristã moderna-contemporânea. Esse avanço se deu a partir dos anos 80, mas explodiu a partir de 1990/2000. Os cantores ganharam status de artistas-celebridade e aconteceu um processo de mercantilização”, observa a jornalista e pesquisadora Magali Cunha, autora do livro "A Explosão Gospel".

A Associação de Empresas e Profissionais Evangélicos (Abrepe) estima que a música gospel responde por 20% do mercado fonográfico brasileiro, movimentando R$ 2 bilhões por ano em venda de CDs e DVDs. São 4,5 mil cantores e bandas, que vendem 500 milhões de DVDs, num mercado que cresce a um ritmo de 33% ao ano.

SUCESSO

Natural de Palmares, Mayra começou a cantar aos 4 anos, mas gravou o primeiro CD em 2015. “Tive uma infância muito pobre. Meus pais (Maciel e Iraíde) criavam galinhas e plantavam macaxeira e batata no quintal de casa para os vizinhos não saberem que a gente passava necessidade. Um dia disse a meu pai que estava com fome e ele me disse que ia preparar uma comida japonesa. Pegou um arroz velho que tinha na geladeira, juntou com uma lata de kitut e passou no liquidificador, improvisou dois hashis de madeira e me deu”, conta Mayra, que passou oito anos frequentando a igreja com o mesmo sapato.

A cantora lembra que aos 12 anos, quando participava de um culto em Palmares, um missionário africano disse que Deus queria falar para ela. “Ele falou que eu nunca mais ia passar fome, que ia gravar meus CDs, que muitas empresas iam me patrocinar e que teria uma parede de sapatos. As pessoas devem experimentar mais a presença de Deus em suas vidas”, defende. Hoje Mayra tem uma fábrica de CDs em Cajueiro Seco e uma loja virtual de camisetas com mensagens evangelizadoras (www.lojamayracarvalho.com).

Um dos projetos é vender bíblias diferenciadas no canal de comercialização. A cantora também recebeu proposta para prestar consultoria na carreira de uma cantora gospel da Carolina do Sul (EUA). Como costumam dizer os evangélicos, “Deus é fiel” na vida e no mundo dos negócios. 

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