FARMÁCIAS

Big Ben suspende atividades em 64 lojas em Pernambuco

A rede de farmácias Big Ben, administrada pela Brasil Pharma, suspendeu atividades

Bianca Bion
Bianca Bion
Publicado em 31/01/2018 às 23:49
Foto: Priscila Buhr/Acervo JC Imagem
A rede de farmácias Big Ben, administrada pela Brasil Pharma, suspendeu atividades - FOTO: Foto: Priscila Buhr/Acervo JC Imagem
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A Brasil Pharma, empresa detentora da marca Big Ben, suspendeu as atividades de 64 lojas da rede de farmácias em Pernambuco. O Sindicato dos Farmacêuticos no Estado (Sinfarpe) estima que mais de 200 farmacêuticos foram demitidos. A empresa entrou com pedido de recuperação judicial no mês passado, no valor de R$ 1,2 bilhão. Também foram fechadas 153 farmácias nos Estados do Pará e da Bahia, tanto da Big Ben quanto da rede Santana, que também pertence à companhia.

Em fato relevante divulgado ao mercado ontem, a Brasil Pharma afirma que a suspensão das atividades “está em linha com as estratégias para redução de despesas, estudo de novas formas de captação de recursos, aprimoramento e busca de alternativas de readequação do capital de giro, bem como com a retomada de investimentos”.

O comunicado diz ainda que os contratos de locação dos pontos comerciais referentes às lojas fechadas ainda permanecem vigentes. A princípio, as atividades permanecerão suspensas até a finalização e aprovação do plano de recuperação judicial. Procurada pela reportagem do JC, a empresa afirmou que não vai se pronunciar sobre o assunto.

A empresa Brasil Pharma passa por dificuldades financeiras há pelo menos um ano. Inicialmente, os consumidores notaram a escassez de produtos básicos nas lojas da rede, como remédios para dor de cabeça e cosméticos. Até mesmo chegou a circular na imprensa a venda do controle da sua rede de farmácias pelo valor simbólico de R$ 1. Algumas lojas no Estado chegaram a fechar, mas reabriram em seguida. A oferta de produtos melhorou, mas a situação voltou a se complicar. Em janeiro deste ano, a empresa ajuizou o pedido de recuperação judicial. Anteontem, as lojas do interior do Estado foram fechadas. Ontem, foi a vez das lojas do Grande Recife.

FARMACÊUTICOS

“Há pelo menos dois anos, nós (os funcionários) notamos que a situação estava difícil, com a falta de medicamentos. Estávamos com medo há um tempo, quando a empresa declarou recuperação judicial. Nós recebíamos duas vezes por mês a cada quinzena. Em dezembro, não pagaram parte do salário e só viemos receber em 10 de janeiro. Depois, disseram que iríamos receber todo o salário de janeiro até o dia 5 de fevereiro. Ontem, a loja em que eu trabalhava encerrou as atividades. Meu gerente me orientou, assinei uma espécie de aviso prévio e estabeleceram uma data de pagamento no dia 9 de fevereiro”, comentou um funcionário, que preferiu não se identificar.

O Sinfarpe se reuniu com representantes da Big Ben para tratar da situação dos farmacêuticos demitidos no Estado. O resultado do encontro será divulgado em assembleia geral extraordinária na próxima segunda-feira, no Memorial de Medicina, no Derby, área central do Recife. Segundo o sindicato, o desligamento dos colaboradores acontecerá normalmente, mas as homologações das demissões só serão feitas após deliberação dos profissionais em assembleia.

“A situação é delicada e precisa ser analisada cuidadosamente. Estamos tristes com o fechamento da Big Ben no Estado e a perda do emprego de tantos companheiros nossos”, disse a presidente do Sinfarpe, Veridiana Ribeiro, em nota publicada na página oficial do sindicato, no Facebook.

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