Comércio exterior

Exportadores pernambucanos se beneficiam da alta do dólar

Produtores de fruta do Vale do São Francisco apostam no aumento da margem de lucro com as vendas externas

Da editoria de Economia
Da editoria de Economia
Publicado em 30/08/2018 às 7:00
Foto: Hélia Scheppa/Acervo JC Imagem
Produtores de fruta do Vale do São Francisco apostam no aumento da margem de lucro com as vendas externas - FOTO: Foto: Hélia Scheppa/Acervo JC Imagem
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Se alguns setores sofrem com a disparada do dólar, que fechou ontem cotado a R$ 4,11, os exportadores comemoram o momento para aumentar suas margens de lucro ou pelo menos para equilibrar os custos. Os exportadores de frutas do Vale do São Francisco aproveitam a valorização da moeda americana no período de pico das vendas externas. A manga e a uva produzidas na região são exportadas durante o ano todo, mas 80% dos embarques se concentram no segundo semestre. Da produção anual de 900 mil toneladas, 15% encontra mercado principalmente na Europa e nos Estados Unidos.

“A alta do dólar ajuda os exportadores porque o valor da caixa do produto é negociada com antecedência, mas a cotação é fechada no período do embarque. Se no começo do ano recebíamos uma média de R$ 3,20 pelo dólar; agora recebemos R$ 4,11”, observa o gerente executivo da Valexport, Tássio Lustoza.

Atualmente, a Europa é o principal mercado para as frutas do Vale do São Francisco, respondendo por 65% das compras, que seguem em sua maioria para o Porto de Roterdã, na Holanda. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar (30%), seguido por outros destinos como Chile, Argentina, Coreia do Sul e Japão. Dos 3 mil produtores da região, 50 têm estrutura para exportar. “Os preços estavam estáveis nos últimos três anos. Por isso, essa alta do dólar vai ajudar os exportadores”, reforça Lustoza.

PAMESA

Com 35% da produção destinada à exportação, a fabricante de pisos cerâmicos e porcelanatos Pamesa também está se beneficiando da alta do dólar. “Para nós essa alta é favorável porque neste momento, a nossa balança cambial interna é mais exportadora do que importadora. Mas é uma coisa pontual da minha empresa nesse momento. De uma forma geral, acho que para as empresas exportadoras o dólar alto tende a neutralizar os efeitos nocivos de uma importação de dólar alto. Hoje em dia, não existe nenhuma empresa que não importe. Então, nós somos industriais, nos favorecemos do dólar alto na exportação, mas temos que pagar máquinas e equipamentos importadores, alguns insumos importados. No fim, a balança comercial se equilibra”, diz o CEO da Pamesa, Marcus Ramos Filho.

O presidente do Sindicato das Indústrias do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE) também é cauteloso em comemorar a valorização do dólar sobre o real. “Para que as exportações remunerem o produtor é necessário que ele faça um bom trabalho, com continuidade, focado no relacionamento com os clientes de fora. Além disso, é preciso lutar para que o preço seja mais estável na mercadoria em si, não só quando se faz a conversão. A conversão é importante, mas todo produtor também tem custos atrelados ao dólar. Por isso essa expectativa de encarar a alta como um ganho deve ser vista com cautela. É preciso apostar mais nas janelas de exportação, resolver primeiro os custos internos de produção, encarar a carga tributária, os problemas de logística e eficiência”, observa.

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