Fim de ano

Confraternizações agitam o mercado de festas no fim do ano

Setor de festas parece não estar sendo afetado pela crise e chegou a movimentar R$ 17 bilhões em 2017

Marília Banholzer
Marília Banholzer
Publicado em 08/12/2019 às 17:26
Notícia
Foto: Bobby Fabisack/JC Imagem
Setor de festas parece não estar sendo afetado pela crise e chegou a movimentar R$ 17 bilhões em 2017 - FOTO: Foto: Bobby Fabisack/JC Imagem
Leitura:

As festas de fim de ano mobilizam uma longa cadeia produtiva, que passa pelas lembrancinhas dos amigos secretos, artigos descartáveis para as festas, aluguel de espaços para eventos, serviços de buffet e muito mais. Além disso, mesmo em tempos de crise, esse mercado de eventos – sociais ou corporativos – parece não sentir o baque. De acordo com dados da Associação Brasileira de Empresas e Eventos (Abeoc), estima-se que esse negócio cresça 14% ao ano. O setor chegou a movimentar R$ 17 bilhões em cerimônias e festas em 2017, segundo dados da Associação Brasileira de Eventos (Abrafesta).

Com a chegada da época oficial de confraternizações, o DNA festivo do brasileiro acaba agitando ainda mais o setor. Além de mais dinheiro no bolso por causa do pagamento do 13º salário, este ano houve liberação de saques de R$ 500 do FGTS. Para Patrícia Gomes, uma das sócias do Arcádia, o mercado têm se mostrado mais aquecido desde a metade do ano, mas é entre outubro e dezembro que o fluxo de festas aumenta. "Este mês de dezembro é atípico, sem dúvida. Além dos eventos comuns de aniversário, casamento, ainda tem muita formatura e confraternizações", comenta Patrícia Gomes.

Ela relata, porém, que no ano passado precisou enxugar o quadro de funcionários, fazer cortes de gastos. "Neste ano estou com quase 90 eventos apenas para dezembro. Isso é muito bom, parece que a crise está dando uma trégua", opina a empresária, que atua em diversas áreas, como buffet, espaço de festas e serviços agregados, como garçons e chefs de cozinha.

Atenta à mudança de hábitos dos consumidores, ela também passou a oferecer o serviço chamado Arcadia em Casa, que monta a estrutura da festa na residência (ou espaço de festa) do cliente. "Tem gente que quer fazer uma confraternização apenas para algumas pessoas, 20 ou 30 convidados. Acaba saindo mais barato contratar o serviço para lhe atender em casa", observa Patrícia. Um coquetel com prato quente para 30 pessoas, por 7 horas, sem bebida alcoólica, custa, em média, R$ 80 por pessoa.

Mas se o grupo quiser investir menos há outras opções no mercado. Empresas com buffet de crepes, feijoadas, frios e salgados. Há ainda a opção de contratar um churrasqueiro profissional. Um dos empreendedores que têm aproveitado o aquecimento do mercado com as confraternizações é o gaúcho Diógenes Brasil. Há quase dois anos ele transformou um hobby em profissão. "Por ser gaúcho, sempre que me convidavam para um churrasco, eu acabava na grelha. Resolvi transformar isso em dinheiro. Procurei cursos e agora estou com a agenda bem concorrida", explica o churrasqueiro.

 

Com a nova profissão, Brasil, como é mais conhecido, faz até oito eventos por mês, mas viu esse número duplicar nos meses de outubro e novembro. "Para este mês de dezembro, a estimativa é fechar em 25 churrascos. Já temos datas fechadas até em janeiro, quando algumas empresas também fazem confraternização", ressalta. Segundo ele, o público que contrata um churrasqueiro é heterogêneo, mas nessa época do ano o destaque fica com os grupos de colegas de trabalho.

"Eu levo todas as carnes e acompanhamentos. A estrutura de grelhas, tenda, e até pia móvel é minha. O contratante só leva a bebida dele", explica Brasil que cobra R$ 58 por pessoas para grupos de 20 pessoas. "A disparada do preço da carne atrapalhou um pouco, poderia ter mais eventos fechados", relata o churrasqueiro.

Faça a festa você mesmo

Há ainda aquelas pessoas que preferem ter um pouco mais trabalho e economizar ao máximo. É a turma do faça você mesmo, que vai às compras, pesquisa preço, pede desconto e monta uma festa com amigos ou familiares para confraternizar. Segundo Arlindo Albuquerque, consultor de compras da casa de artigos de festa Arcol, no Centro do Recife, esta época do ano é uma das mais aquecidas, por causa desse público que coloca a mão na massa. "As pessoas compram muitos artigos para decorar as festas, cestas para montar e dar como brindes em festas, mas o campeão sempre são os descartáveis que o consumidor leva para seu evento", enumera ele, que trabalha há 28 anos no setor.

O consultor revela ainda que este ano teve uma surpresa. Ele não esperava que fossem vender tantas formas de panetone. "Essa decisão das pessoas em economizar fazendo elas mesmas tem feito muitas pessoas fazerem cursos para não precisar comprar nada pronto e aproveitar para vender. Acho que esse foi o caso dos panetones. Compramos mais de 10 mil formas e todas foram vendidas", relata Arlindo Albuquerque.

A diarista Joseli Calazans, 38 anos, é uma das que caem em campo para economizar. "Todo ano fazemos uma festinha em casa para confraternizar com a família. Venho para pesquisar o melhor preço e conseguir montar a festa". Já a empresária Maria do Socorro Rodrigues, da Exata Contábil, faz questão de ir atrás dos brindes e artigos usados na festa de confraternização da sua empresa. "Acho que fazendo tudo sem contratar serviços, consigo economizar uns 30% do valor que gastaria", argumenta.

O jornalismo profissional precisa do seu suporte. Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Últimas notícias