Paralisação

Suape pode ser impactado pela paralisação no Porto de Santos? Entenda

Santos é um dos portos que recebem cargas internacionais e redistribui

Adriana Guarda
Adriana Guarda
Publicado em 17/02/2020 às 20:35
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Foto: Divulgação
Santos é um dos portos que recebem cargas internacionais e redistribui - Foto: Divulgação
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Caminhoneiros da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, começaram a meia-noite de ontem uma paralisação por 24 horas na entrada do Porto de Santos. Liderados pelo Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam), os trabalhadores protestam contra o novo Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do cais, além de reivindicar um valor mínimo para serviços de frete e a retirada do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis. Por enquanto, a paralisação não teve efeito sobre os portos pernambucanos. Portanto, o fato de ser tratar do maior porto da América Latina, pode trazer impacto nacional.

Ontem mesmo, a Justiça Federal proferiu decisão em favor da Companhia Docas de São Paulo, expedindo um Mandado Proibitório. A decisão impede o bloqueio dos acessos terrestres e marítimos ao Porto de Santos, no período de 17 a 21 de fevereiro de 2020. Na prática, apenas as operações nos cais que realizam descarga direta (granéis sólidos minerais) tiveram interrupção por causa da manifestação dos caminhoneiros. O presidente do Sindicom, Alexsandro Viviani, disse que o ato foi para mostrar a união da categoria. “Se não formos atendidos, nossa greve será por tempo indeterminado”, afirmou. Uma paralisação da categoria sempre remete à greve de maio de 2018, quando o caos se instalou no Brasil.

Durante o dia de ontem, os portos do País ficaram atentos ao ‘contágio’ da paralisação e aos possíveis impactos na movimentação portuária. Por meio de sua assessoria de comunicação, o Porto de Suape informou que “não tem nenhuma reclamação de perda na movimentação, em virtude do movimento dos caminhoneiros de Santos, até o momento. Líder em cabotagem no país, 74% da movimentação do Porto de Suape é de granéis líquidos e, nesse caso, o porto pernambucano é quem recebe os produtos e distribui em maior escala, não existindo nenhuma movimentação de porte programada para vir de Santos, no momento”, diz a nota.

REFLEXO

O professor de Logística e Administração da UniFBV/Wyden, Paulo Alencar, explica que o Porto de Santos é o maior em movimentação de cargas do Brasil e da América Latina e que dificuldades na sua operação podem ter reflexo no País. “As cargas que vêm para os portos do Nordeste fazem conexões com as cargas internacionais, a maioria delas por Santos e Sepetiba, no Rio de Janeiro. Esses grandes portos é que recebem as cargas internacionais em navios grandes e são redespachadas para navios que subirão até o Nordeste. Essa paralisação dos caminhoneiros gera um colapso no processo de embarque e desembarque de operação. O Porto de Santos já trabalha com seu limite operacional em termo de movimentação e esse protesto tende a fazer com que os processos fiquem mais lentos”, observa.

Alencar alerta, ainda, para o efeito psicológico que um tipo de paralisação gera. “Se fossem os caminhoneiros que atuam em portos menores o efeito não seria o mesmo, mas em se tratando de Santos a coisa ganha outra proporção. Isso sem falar que estamos num momento de sazonalidade, às vésperas do Carnaval. Algumas mercadorias podem estar em prazo final de entrega ou mesmo com entrega atrasada. É um momento delicado”, analisa.

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