Uruguai

Conheça Carmelo, a Toscana da América do Sul

Também chamada de Região dos Pássaros Pintados, Carmelo é uma parte charmosa do Uruguai

Adriana Victor
Adriana Victor
Publicado em 10/11/2019 às 17:27
Especial
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Também chamada de Região dos Pássaros Pintados, Carmelo é uma parte charmosa do Uruguai - FOTO: Foto: Divulgação
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A localidade já tem alguma fama e mantém com gosto o seu título: Toscana da América do Sul. Talvez nem precisasse da designação – Carmelo é, por si, um encanto. Mas os imigrantes italianos que chegaram às terras da costa Oeste do Uruguai, vindos principalmente da Toscana, e uma reportagem do New York Times, que desvendou a região e hoje é exibida na parede de todas as bodegas, ajudaram a formar a alcunha.

Das estradinhas de terra batida se enxerga paisagem parecida, de um lado e de outro. Parecida porque os vinhedos sempre ladeiam o caminho, mas ora as folhas das parreiras estão mais verdes, ora alaranjadas. Aqui e ali, um riacho que corre, árvores a sombrear a paisagem, cavalo e bois no pasto, carneiros rechonchudos, torneados de lã. Estamos no outono uruguaio; o céu é de azul absoluto. Carmelo, a pedrinha preciosa encravada na Costa Oeste do “paisito”, dá exemplo de turismo que se fortalece com a união de pequenos empreendimentos – sete vinícolas, todas com produção artesanal, uniram-se para dar corpo e visibilidade aos negócios.

“Começamos a trabalhar juntos em 2017, com um objetivo comum: posicionar Carmelo como uma área de enoturismo. As vinícolas (@bodegasdecarmelo) fazem ações em conjunto, sempre unidas”, revela Francisco Lorente, coordenador das bodegas de Carmelo e gerente geral da Campotinto, uma das principais da região. Folhetos e material de divulgação, ida a feiras e congressos, posicionamento nas redes sociais – tudo é feito coletivamente. O resultado é a afirmação de um polo de enoturismo, com restaurantes, pousadas e circuito de degustações.

A localidade já tem alguma fama e mantém com gosto o seu título: Toscana da América do Sul. Talvez nem precisasse da designação – Carmelo é, por si, um encanto. Mas os imigrantes italianos que chegaram às terras da costa Oeste do Uruguai, vindos principalmente da Toscana, e uma reportagem do New York Times, que desvendou a região e hoje é exibida na parede de todas as bodegas, ajudaram a formar a alcunha.

Fundada em 1816, Carmelo é parte do que o governo uruguaio chama de Região dos Pássaros Pintados; fica a pouco mais de 70 km de Colônia do Sacramento – essa já bem mais íntima dos brasileiros, graças ao bate e volta feito pelo Rio da Prata, a partir de Buenos Aires – e a 240 km de Montevidéu.

Veja quanto tempo você deve ficar

Pule a pergunta “em quanto tempo se conhece Carmelo?”. Porque a medida do descanso, das pedaladas, das degustações, de se admirar as transformações das cores do dia e dos pássaros depende, claro, de cada um. Para se conhecer quase todas as vinícolas, basta uma bicicleta – a maior parte delas fica na Rota dos Peregrinos, caminho marcado pela Igreja de São Roque, construção do período colonial. A maior distância entre as bodegas não passa de 20 quilômetros.

A Campotinto é uma das principais da rota: tem pousada charmosa com 12 quartos, piscina, restaurante aberto a não hóspedes e uma casarão antigo que sedia as degustações da produção de 30 mil garrafas/ano. Os fundadores, da família Viganó, vieram justamente da Toscana. Hospedar-se na Campotinto garante o olhar permanente nos campos coalhados de parreiras. Vale!

O vizinho é o Almacén de La Capilla. Fundado por volta de 1900, o negócio está na quinta geração da família Cordano. Mudou pouco o prédio do armazém de secos e molhados construído pelo bisavô de Ana Paula Cordano. Mas foi em 2014 que, junto com o marido Diego Vecchii, ela decidiu direcionar a propriedade ao enoturismo. “Recebemos, hoje, mais argentinos e brasileiros”, conta Ana Paula.

Nos 8 hectares de vinhedos, que produzem 10 mil garrafas/ano, é possível encontrar as uvas chardonnay, cabernet sauvignon, merlot, syrah e, claro, a tannat, cepa emblemática do Uruguai. No Almacén, o casal produz o tannat rosé, além do tinto. Um pátio interno recebe os visitantes de passagem para uma “copa de vino” – ou algumas. E se quiser esticar a estada, o local dispõe de um único chalé, encravado entre os vinhedos, batizado de “entre vinãs”.

Mais 15 minutos de pelada, é a vez da Bodega El Legado, que produz “poucos e bons vinhos”, garantem os proprietários: um tannat reserva, um blend de tannat e syrah e mais um blend gran reserva. Hoje, o local recebe apenas para almoço e degustações, mas está construindo quatro chalés para virar pousada. A experiência de uma babel de amantes de vinho é bem divertida, apesar de os brasileiros serem maioria, cerca de 60% dos visitantes. O almoço no El Legado é a chance boa de se testemunhar americanos, ingleses, franceses, brasileiros e argentinos compartilhando a alegria que acompanha taças e parilla. E provar uma fatia pequena do tanto que o Uruguai tem para nos ofertar.

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