Soluções Urbanas

Chegada da Aena ao Aeroporto do Recife traz expectativa de crescimento do turismo

Em um país de dimensões continentais como o Brasil, ter uma boa infraestrutura aeroportuária é condição básica para o turismo

Mona Lisa Dourado Marília Banholzer
Mona Lisa Dourado
Marília Banholzer
Publicado em 25/11/2019 às 8:00
Notícia
Foto: Infraero/Divulgação
Em um país de dimensões continentais com o Brasil, ter uma boa infraestrutura aeroportuária é condição básica para o turismo - Foto: Infraero/Divulgação
Leitura:

O transporte aéreo de passageiros é a atividade com maior participação nas receitas do turismo no Brasil. Representa uma fatia de 31%, segundo estudo da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) a partir de dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em um país de dimensões continentais, ter uma boa infraestrutura aeroportuária e frequências de voos para diferentes partes do País e do mundo é condição básica, portanto, para o crescimento do setor. Não por acaso, o mercado pernambucano espera com grandes expectativas o início da operação da espanhola Aena Desarrollo Internacional no Aeroporto Internacional do Recife.

A empresa conquistou em março deste ano a concessão do terminal, junto com outros cinco do cobiçado bloco Nordeste: Juazeiro do Norte (CE), Maceió, Aracaju, Campina Grande (PB) e João Pessoa. Para tanto, pagou R$ 1,9 bilhão de outorga mínima, um ágio de 1.010% sobre o valor inicial, e deverá desembolsar R$ 788 milhões nos cinco primeiros anos de contrato em obras de melhorias. Durante os 30 anos de validade da concessão, o investimento total previsto é de R$ 2,1 bilhão, sendo R$ 865,2 milhões somente no Recife. Equivale, em média, a R$ 28,8 milhões por ano. Sob a administração da Infraero, esse aporte médio anual foi de apenas R$ 2,13 milhões nos últimos dez anos.

O terminal do Recife é o primeiro do Nordeste e o oitavo do País em trânsito geral de passageiros – foram 8,2 milhões de embarques e desembarques regulares em 2018

O sócio-líder de Governo e Infraestrutura da consultoria KPMG, Maurício Endo, aponta que a transferência dos aeroportos para a iniciativa privada tem sido essencial no País para a ampliação da capacidade e incremento da operação e dos serviços nos terminais. A expectativa é que haja, inclusive, queda no valor das tarifas no médio prazo, dado os ganhos de eficiência. "Sem as amarras de uma estatal, o operador tem flexibilidade para escolher as ações que melhor contribuam para a sua lucratividade. Nesse contexto, as receitas acessórias, vindas de lojas e alimentação, por exemplo, devem ganhar importância crescente", avalia, destacando que o aeroporto é o cartão de visitas de qualquer destino turístico. "Um terminal de qualidade causa uma primeira boa impressão."

Prevista para ser concluída até 13 de fevereiro de 2020 – prazo que pode ser prorrogado pela Anac –, a transição das operações da Infraero para a Aena se intensificou no início deste mês com a chegada ao Estado do diretor-presidente da empresa, Santiago Yus, para apresentar o Plano de Transferência Operacional a autoridades ligadas ao terminal de passageiros e representantes de companhias aéreas. O documento garante todas as condições de segurança e eficiência durante o período de repasse da gestão. "Aena Brasil será em breve uma realidade a serviço da sociedade pernambucana e do desenvolvimento turístico do Nordeste do Brasil", afirmou Yus em nota.

Atualmente, o terminal do Recife é o primeiro da Região e o oitavo do País em trânsito geral de passageiros – foram 8,2 milhões de embarques e desembarques regulares em 2018. Quando se trata de visitantes internacionais, fica na quinta posição: 534.759. O aeroporto também ostenta boa saúde financeira, com lucro líquido anual crescente. Passou de R$ 47,9 milhões em 2016 para R$ 102,5 milhões em 2017, uma alta de 113%. Já entre 2017 e 2018, a variação ficou em 28%. Este ano, no acumulado até setembro, o lucro já é de R$ 107,4 milhões.

Hub da Azul faz decolar

Boa parte desse resultado se deve à instalação do hub da Azul em março de 2016, estimulada pela decisão do governo do Estado de reduzir a alíquota do ICMS sobre o querosene de aviação de 25% para 12%. A empresa, que tem voos diretos para 30 destinos nacionais e quatro internacionais a partir do Recife, é uma das principais entusiastas da concessão do terminal. "Vai ajudar a ampliar o nosso hub, que está quase lotado agora. Sem investimento, seria difícil continuar crescendo", pontua o presidente da empresa, John Rodgerson. Otimista com o futuro da operação, o executivo afirma que a Azul está investindo quase US$ 1 bilhão em novas aeronaves para a operação local.

Instalação do hub da Azul aconteceu em março de 2016 após inventivo fiscal do Governo do Estado. Foto: Chico Bezerra/JC Imagem

"Estamos colocando o nosso melhor produto no hub de Pernambuco: aeronaves novas, pessoas, treinamento", garante, lembrando que a empresa emprega 600 profissionais no Estado. Com os novos aviões (Embraer E2 e Airbus A320neo e A330neo, que têm mais assentos e queimam 15% menos combustível, Rodgerson diz que será possível reduzir os preços dos bilhetes aéreos. "Vamos baixar as tarifas de 5% a 10% nos próximos anos", projeta.

Segunda empresa com maior número de rotas na capital pernambucana (sete nacionais e três internacionais), a Gol também considera positiva a chegada da Aena ao Recife. Em nota, a empresa diz que "espera novas estruturas pensadas para melhorar a experiência dos clientes que passarão pelo terminal". Já a Latam (três rotas nacionais e duas internacionais), também via nota, afirma que os investimentos promovem o desenvolvimento sustentável do setor. Mas chama a atenção que "a modernização dos aeroportos não deve provocar aumentos de custos operacionais para as companhias aéreas, o que pode limitar o potencial de crescimento do mercado".

» SEMINÁRIO SOBRE TURISMO

Para debater caminhos possíveis para o turismo, o Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC) realiza nesta quarta-feira (27) o Seminário Soluções Urbanas – Turismo, que reunirá especialistas, profissionais do trade, empresários, gestores públicos, estudantes e demais interessados no tema. As inscrições para o evento já estão abertas, são gratuitas e podem ser feitas até o dia 26 pelo e-mail eventos@sjcc.com.br ou no site www.jc.com.br/seminariojc. O encontro ocorre das 8h às 12h30, no auditório do SJCC na Rua do Lima, em Santo Amaro.

Newsletters

Ver todas

Fique por dentro de tudo que acontece. Assine grátis as nossas Newsletters.

Últimas notícias